Batalha de Kharkov
Kharkov foi, dentre as
grandes cidades soviéticas, a que mais mudou de mãos durante a "Grande
Guerra Patriótica". Capturada em 24/10/41, os soviéticos tentaram
libertá-la em janeiro de 1942 numa ofensiva que foi detida a grande custo pelos
alemães e que gerou o "Bolsão de Barvenkovo". Em maio, uma nova
ofensiva, partindo desse bolsão, visando Kharkov, terminou em desastre. Após a
vitória de Stalingrado, a ofensiva soviética visou Kharkov, que foi libertada
a 16/02/43. Mas Kharkov revelou-se uma isca fatal, pois uma contra-ofensiva
alemã recapturou a cidade a 15/03/43, criando o "Bolsão de Kursk".
Após a vitória soviética na Batalha de Kursk, Kharkov foi definitivamente
libertada a 23/08/43.
Houve duas batalhas realmente importantes que tiveram Kharkov como objetivo: as ofensivas soviéticas de maio de 1942 e a de fevereiro de 1943. Ambas tiveram o mesmo desfecho (desastre para o Exército Vermelho) e tiveram consequências sérias para o desenrolar das duas batalhas mais importantes da frente russa: Stalingrado e Kursk.
Após a contra-ofensiva soviética no inverno de 1941/42, a frente sul encontrou-se sinuosa e um bolsão de 136 por 120 quilômetros sobressaía nitidamente. Ambos os lados decidiram fazer desse saliente um palco de ofensivas. De seu lado, os soviéticos planejaram um ataque de pinças. De dentro do bolsão, o 6º Exército atacaria para o norte, visando Kharkov, enquanto o 28º Exército, partindo da região de Volchansk, abriria caminho para unir-se ao 6º Exército, cercando assim parte considerável do 6º Exército alemão e libertando Kharkov. Os alemães, por outro lado, planejaram também um ataque de pinças, visando o aniquilamento do bolsão, como uma medida preventiva para a posterior ofensiva contra o Cáucaso. A pinça norte seria formada pelo 6º Exército e a sul pelo 1º Exército Panzer. Um lado não sabia o que o outro estava fazendo e os soviéticos ficaram prontos primeiro. A 12/05/42, iniciou-se a batalha. Os soviéticos avançaram rapidamente no sul, mas foram logo detidos no norte. Timoshenko, o comandante soviético, começou a desconfiar que algo estava errado, pois o seu avanço não estava encontrando a resistência esperada. A 17/05/42, Timoshenko descobriu que o 1º Exército Panzer estava ao sul do bolsão e percebeu que entrara numa arapuca. Já era tarde. No mesmo dia, 2 divisões panzer, 1 motorizada e 8 de infantaria partiram para o ataque. Timoshenko pediu autorização para recuar mas Stalin recusou. No dia 22, o cerco estava fechado. Embora algumas unidades conseguissem abrir caminho à força, a batalha redundou em desastre total para o Exército Vermelho: 3 exércitos foram destruídos (6º, 9º e 57º) e 29 divisões haviam deixado de existir. Mais de 70000 soldados foram mortos e 200000 capturados, além da perda de cerca de 400 tanques. Com isso, as frentes Sudoeste e Sul, encarregadas da defesa da parte meridional da frente russa, estavam reduzidas a frangalhos e não puderam oferecer resistência séria à ofensiva alemã de junho, que terminou nos arredores de Stalingrado.
A segunda Batalha de Kharkov acabaria se constituindo num modelo de defesa elástica. Ela começa a 13/01/43, quando as Frentes Voronezh e Sudoeste se lançaram ao assalto, aproveitando o estado de desequilíbrio dos alemães após o cerco de Stalingrado. As duas frentes reuniam 54 divisões e 10 corpos de tanques, além de várias brigadas independentes de infantaria, tanques e cavalaria. Diante deles, o 2º Exército húngaro e o 8º italiano. Mau equipados e de moral baixo, não tiveram a menor chance. Em 15 dias, ambos os exércitos tinham virado paçoca, deixando em mãos russas cerca de 80000 prisioneiros. Igual destino teve o 3º Exército romeno, mais ao sul. Um buraco de mais de 240 km havia sido feito na frente alemã e o avanço soviético atingira 140 km. O avanço da frente Voronezh bifurcou-se, uma parte rumando para Kursk e a outra buscando o sul, para fazer contato com a ofensiva da Frente Sudoeste. A 16/02/43, as forças da Frente de Voronezh entraram em Kharkov e prosseguiram avançando no sentido sudoeste, esperando atingir a costa no Mar de Azov e cercar as forças alemãs diante de Rostov. Mas o comando alemão estava nas mãos do hábil Feldmarechal Erich von Manstein, que percebeu que os soviéticos já estavam ultrapassando os limites de suas linhas de suprimentos e estavam ficando esgotados por semanas de combates ininterruptos. Pacientemente, recuou para linhas mais defensáveis, recebeu reforços vindos da França ocupada e efetuou uma importante concentração de meios, incluindo o II Corpo Panzer SS, na região de Krasnogrado. Mais uma vez, os soviéticos cairam numa cilada: convencidos de que os alemães estavam ainda se retirando, continuaram avançando. A 18/02/42, os soviéticos tentaram retomar a ofensiva, mas o caos já estava formado: a maioria das unidades estava com efetivos quase simbólicos, parte do 6º Exército estava cercada e um corpo de tanques inteiro estava parado por falta de combustível 100 km além da linha russa. Os alemães não queriam mais nada. A 21/02/43, o 4º Exército Panzer (ao todo, 7 divisões panzer, 1 motorizada e 4 divisões de infantaria) iniciou uma fulminante contra-ofensiva que desbaratou o flanco esquerdo da Frente Sudoeste. O 6º Exército perdeu mais de 23000 homens mortos e quase 9000 capturados. O 3º Exército de Tanques soviético foi aniquilado. A Frente Sudoeste recuou cerca de 100 km e o caminho ficou aberto para a retaguarda da Frente Voronezh. Não havia outra coisa a fazer senão recuar e abandonar Kharkov a 15/03/43. A retirada soviética só parou na margem leste do Donets. A chegada de reforços vindos da reserva estratégica soviética e o início do degelo da primavera detiveram o avanço alemão. Com isso, formou-se um bolsão em torno da cidade de Kursk que seria palco da maior batalha de tanques de toda a História.
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