A Batalha do Atlântico

O objetivo estratégico de
Hitler na Batalha do Atlântico era interromper, na maior escala possível, os
fornecimentos de provisões e material bélico da Grã-Bretanha e seus aliados.
Foi sua unidade de submarinos, habilmente comandada pelo Almirante Karl Doenitz,
que atingiu o maior grau de êxito, mas felizmente para os britânicos, Hitler e
o Almirante Raeder - o chefe da Marinha alemã - persistiram longo tempo na crença
de que os grandes navios de superfície eram de importância superior,
resultando disso que, até que fosse tarde demais, a força submarina nunca foi
suficientemente desenvolvida para conseguir uma vitória completa, embora em março
de 1943 a posição dos Aliados fosse extremamente precária. A arma submarina
alemã só ressuscitara em 1935, quando o então capitão-de-fragata Karl
Doenitiz criou a flotilha Weedingen, composta de três embarcações minúsculas.
Mas a Força de Submarinos de Doenitz evoluiu e a sua Campanha Submarina, de
1939 a 1945, daria como resultado o afundamento de 69% da tonelagem de navios
mercantes dos Aliados.
A luta perdurou por toda a guerra, atingindo o auge entre a metade de 1942 e a
metade de 1943. Começou a 3 de setembro, quando o navio de longo curso Athenia
foi afundado por um submarino alemão. Portanto as hostilidades navais começaram
somente dez horas depois da proclamação do estado de guerra, quando uma explosão
destruiu o Athenia, de 13.500 toneladas, o qual fazia sua viagem para Nova
Iorque. Houve 128 vítimas, dos quais 28 passageiros norte-americanos. A Segunda
Guerra Mundial tem seu Lusitania desde o primeiro dia.
No final de 1934, 114 embarcações britânicas e neutras, totalizando 420.000
toneladas, tinham sido postas a pique, entre elas o porta-aviões Courageous e o
vaso de guerra Royal Oak, este último afundado em Scapa Flow pelo submarino
alemão U-47, num audacioso ataque noturno. Além do Courageous e do Royal Oak,
os submarinos alemães puseram a pique os NAes Eagle, Ark Royal e o Wasp e o
encouraçado Barham
Nesse meio tempo, as belonaves alemães de superfície não corresponderam às
expectativas: em dezembro, o Graf Spee era condenado à morte na desembocadura
do Rio da Prata; o seu irmão gêmeo, Admiral Scheer, teve mais sorte, pois
ficando no mar por cinco meses, conseguiu destruir 100.00 toneladas, e mais o
cruzador-auxiliar Jerviz Bay. O Destschland causou pequena impressão em suas
incursões pelo Atlântico Norte; e os dois cruzadores de batalha Scharnhorst e
Gneisenau fizeram apenas uma breve incursão de reconhecimento.
Iniciando a guerra com uma força submarina de apenas 56 unidades, a
Kriegsmarine viu esse número crescer resolutamente, enquanto os comboios
permaneciam desesperadoramente privados de escolta. A situação foi um pouco
abrandada pela entrada em ação, na primavera de 1940, das primeiras corvetas,
mas o risco para a navegação redobrou com a queda da França em junho de 1940.
Quando isso aconteceu, o Canal da Mancha deixou, naturalmente, de ser seguro, e
as rotas de navegação inglesas no Atlântico logo foram igualmente ameaçadas
por novas base de submarinos, estabelecidas pelos alemães em Brest, Lorient e
outros portos da costa atlântica francesa. Submarinos transoceânicos passavam
a poder operar com mais profundidade no Atlântico, do que as escoltas de destróieres
para os comboios de longo curso, e Doenitiz não demorou a se aproveitar desse
ponto fraco no sistema de comboio.
A única rota que permanecia aberta para os comboios com destino à Grã-Bretanha,
ou regressando de lá, passava pelos acessos norte-ocidentais - contornando o
norte da Irlanda -, mas nem essa rota escapou aos ataques dos bombardeiros de
longo alcance Focke-Wulf Kondor, com bases na Noruega e na França. Em setembro
de 1940, Churchil, sem esperança de reforçar as escoltas de comboios, fez um
acordo de concessão de crédito com o presidente norte-americano Roosevelt,
segundo o qual a Grã-Bretanha passava a usar cinqüenta destróieres da
Primeira Guerra Mundial, com quatro canhões, da reserva naval norte-americana,
que foram enviados para bases no lado oposto do Atlântico; mas ainda havia
muito pouca escolta, e em outubro de 1940 submarinos alemães afundaram um total
de 350.000 toneladas de embarcações, a cifra mais alta até então.
O mau tempo trouxe ao combate um período de calmaria, durante o inverno de
1940-41, mas na primavera Doenitz renovou a ofensiva com uma nova tática
devastadora. Começou a desdobrar grupos de submarinos no que foi designado como
“matilhas de lobos”. Os membros da matilha se espalhavam e patrulhavam uma
vasta área até que um deles localizasse um comboio. Esse submarino então
chamava os outros pelo rádio e, depois de todos se reunirem, a matilha fazia um
ataque de superfície, à noite. Sua velocidade em superfície superava a da
maioria das escoltas de comboio, mas o mais importante era que o aparato de
escolta de Asdic(2) era incapaz de detectar a presença deles. As “matilhas de
lobos” atacaram noite após noite, retirando-se durante o dia e causando
efeitos devastadores, mas felizmente para os ingleses, Karl Doenitz não tinha
submarinos em quantidade suficiente. De qualquer modo, em março de 1941, vários
submarinos, atacantes de superfície ( o vaso de guerra ligeiro Admiral Scheer e
os cruzadores pesados Scharnhorst e Gneiseneu) e muitos aviões reivindicavam
entre si o afundamento de mais de 500.000 toneladas de navios aliados.
Em maio do mesmo ano ocorreu um dos grandes últimos confrontos de navio a
navio. O Bismarck em companhia do cruzador Prinz Eugen, navegava pelo Atlântico
à procura de vítimas. Localizados, o cruzador de batalha britânico Hood e o
Prince of Wales partiram em seu encalço para interceptá-los. Em 24 de maio
entraram em combate, e o Hood, de 42.000 toneladas, com oito canhões de 381 milímetros,
foi explodido pela primeira salva do Bismarck, enquanto o Prince of Wales era
danificado o suficiente para ser forçado a parar. O Bismarck fora atingido duas
vezes pelo Prince of Wales e tinha um vazamento de combustível; assim, fez
meia-volta, visando a rumar para um porto francês, e, após repetidos ataques
de bombardeiros britânicos decolados de porta-aviões dos quais apenas um
acertou o alvo, e com um tiro bem fraco, escapou dos atacantes. Alguns dias
depois foi novamente localizado e mais uma vez atacado por torpedeiros. Desta
vez foi atingido por dois tiros, um dos quais emperrou seus lemes. Deixado sem
controle mas aparentemente impossível de ser afundado, foi alvejado primeiro
por obuses dos vasos Rodney e King George V, e depois torpedeado pelo
Dorsetshire. O Prinz Eugen, que o acompanhava inicialmente, conseguiu seguir
salvo para Brest, mas a destruição do Bismarck representou o fim dos esforços
alemães para vencer a Batalha do Atlântico com belonaves de superfície.
Logo, em março de 1941, a Lend-Lease Bill foi assinada. Segundo seus termos, a
Grã-Bretanha podia solicitar armas e provisões sem pagamento imediato. Isso,
junto com a ampliação unilateral que os Estados Unidos fizeram da chamada
“Zona de Segurança” ao largo da sua costa ocidental(dentro da qual os
submarinos tinham que respeitar a neutralidade da navegação norte-americana) e
sua decisão de fornecer apoio atlântico à navegação aliada, indicou aos
alemães que os norte-americanos estavam se tornando bem menos do que neutros.
Essas medidas, porém, melhoraram consideravelmente as chances dos comboios
aliados no Atlântico, e quando a Marinha Real canadense começou a oferecer
escolta até o sul da Islândia, finalmente um sistema de escolta transatlântica
contínua entrou em operação.
Pelo final de 1941, as perspectivas pareciam mais animadoras para os ingleses,
embora ainda houvesse deficiência de aviões de longo alcance para missões de
proteção a comboio, e os submarinos agora sendo produzidos com cascos soldados
a pressão em lugar dos antigos blindados e rebitados, estavam se tornando mais
difíceis de afundar. No entanto, os acontecimentos deveriam dar uma guinada, e
para pior. Depois que os Estados Unidos entrou na guerra, em resposta ao
bombardeio dos japoneses sobre Pearl Harbor em dezembro de 1941, a Zona de
Segurança deixou de existir. Doenitz não demorou a perceber que agora poderia
fazer inúmeras vítimas ao largo da costa ocidental americana, e as cifras de
500.000 toneladas postas a pique em fevereiro de 1942 e 700.000 em junho
testemunhavam o sucesso dessa nova ofensiva. Em agosto de 1942, mais de
trezentos submarinos estavam a serviço, e em novembro, apesar da introdução
de aparelho de radar de 10 centímetros e de equipamento HFDF( que podia
localizar um submarino por transmissões de rádio), os Aliados sofreram a perda
de 729.000 toneladas.
No começo de 1943, porém os Aliados tinham finalmente desenvolvido o que se
revelou ser um sistema de contra-ataque verdadeiramente eficaz e, que talvez
tenha sido mais importante - os aviões Liberator de longo curso se tornaram
disponíveis - afinal, para missões de escolta de longo alcance. Embora em março
os Aliados tenham perdido 627.000 toneladas, as cifras de abril e maio mostraram
um progressivo e impressionante declínio. Em maio, Karl Doenitz calculou que
para cada três submarinos que tinha no mar, perdia um, e a 23 de maio, vendo
que não resistiria a tais perdas por muito tempo, ordenou a seus submarinos que
se retirassem do Atlântico Norte.
Embora a campanha continuasse até o fim da guerra, em julho de 1943 a construção
de novos navios mercantes tinha finalmente superado as perdas, e a batalha a
favor dos Aliados estava ganha no Atlântico.
Fonte: http://www.nomar.com.br/guerras_01.htm
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