A Ponte de Remagen


A tomada da ponte sobre o Reno, realizada pelos americanos da 9ª Divisão, no dia 7 de março de 1945.

Na manhã do dia 7 de março, o General John Millikin, comandando o III Corpo de Exército ao flanco direito do I Exército, enviou a 9ª Divisão de Blindados para a margem ocidental do Reno. A missão do Comando de Combate B (CCB), unidade subordinada à 9ª Divisão e comandada pelo general William Hoge, era ocupar Remagen, cidade da margem ocidental do rio e onde uma grande ponte de linha férrea se estendia sobre ele.

A famosa ponte de Remagen, sobre o Reno

 


Chamada de Ponte General Erich Ludendorff, fora construída em meio à Primeira Guerra Mundial, a fim de facilitar o transporte de suprimentos para a frente de batalha da Europa Ocidental. Na margem oriental, havia uma ribanceira, conhecida como Erpeler Ley. Praticamente a pique, erguia-se a 170 metros de altura e dominava o vale do rio. As linhas férreas passavam por um túnel através da Erpeler Ley (Ironicamente, a história se repetiu: em dezembro de 1918, o III Corpo de Exército, I Exército, atravessara o Reno em Remagen como parte das operações de ocupação das forças aliadas).

O tempo estava úmido e desagradável, frio e com nuvens pairando quase ao nível do topo das árvores. Isso manteve os caças e os bombardeiros americanos em terra, mas não os pequenos Piper Cubs. Enquanto o CCB avançava em direção ao Reno, o tenente Harold Larsen, do corpo de artilharia da 9ª Divisão, seguiu à frente num Piper Cub em vôo de reconhecimento, à procura de alvos possíveis. Por volta das 10h30, ele se aproximava de Remagen, quando, para seu assombro, avistou a Ponte de Ludendorff, que se foi agigantando a seus olhos, com sua estrutura maciça, em meio à névoa e à neblina do vale do rio. Larsen transmitiu pelo rádio a notícia ao general Hoge, que enviou ordens imediatamente às unidades estacionadas mais proximamente a Remagen para que tomassem a ponte. Elas eram o 27º Batalhão de Infantaria Motorizada e o 14º Batalhão de Tanques. Hoge fez com que se reunissem numa força-tarefa sob o comando do tenente-coronel Leonard Engeman, que pôs o pelotão de infantaria da Companhia A, do tenente Emmet "Jim" Burrows, na vanguarda. Depois de arredar do caminho débeis forças de resistência inimiga, a Força-Tarefa Engeman alcançou um bosque a oeste de Remagen pouco antes do meio-dia. Ao sair do bosque, Burrows e seus homens deparam com uma ribanceira sobranceira ao Reno. E lá estava a Ponte de Ludendorff, intacta. Os alemães a haviam utilizado para se retirarem.

Soldado americano no topo da ribanceira oriental


Burrows entrou em contato com o Tenente Karl Timmermann, de 22 anos, o qual assumira o comando da Companhia A no dia anterior. Outra ironia: Timmermann nascera em Frankfurt am Main, cidade situada a menos de 160 quilômetros de Remagen. Timmermann fez algumas observações e pôs-se ao rádio para falar com o coronel Engeman, que lhe disse que entrasse na cidade com sua infantaria e seus tanques. Quando Timmermann partiu, Engeman entrou em contato com Hoge, que partiu pelos campos num jipe, em demanda do ponto de encontro, absorto em sopesar a perspectiva de perder um batalhão caso a ponte fosse explodida contra a possibilidade de capturá-la. Ademais, ele havia acabado de receber ordens para seguir para o sul, na margem ocidental do rio, até que suas tropas se coligassem ao flanco esquerdo do III Exército. Caso decidisse dirigir-se para a ponte, teria que desobedecer às ordens, razão pela qual correria o risco de ser enviado à corte marcial e cair em desgraça.

Às 15 horas, Hoge chegou, observou a situação e, depois de calcular que perderia apenas um pelotão caso os alemães explodissem a ponte quando ela fosse assaltada, ordenou que Engeman a capturasse. Enquanto isso, Timmermann tinha vencido alguns focos de esparsa resistência e, por volta das 14 horas, começou a aproximar-se da ponte. Os alemães na margem oriental disparavam metralhadoras e canhões antiaéreos contra sua companhia. O comandante de seu batalhão, major Murray Deevers, juntou-se a Timmermann.

- Você acha que pode fazer sua companhia atravessar essa ponte? - indagou.
- Bem, nós tentaremos, senhor - respondeu Timmermann.
- Vá em frente.
- E se a ponte explodir na minha cara? - Timmermann perguntou.

Deevers virou-se e afastou-se sem dizer palavra.

- OK, vamos atravessá-la - bradou Timmermann aos seus líderes de esquadrão.

E eis que avistou engenheiros alemães prestes a pressionar os êmbolos dos explosivos. Seguiu-se, pois, gigantesca explosão. O estouro fez que Remagen estremecesse e produziu uma erupção de terra e pedras na extremidade ocidental da ponte. Os alemães haviam detonado uma carga colossal, que criara um enorme buraco na passagem de nível que ligava a estrada principal à plataforma da ponte. A cratera produzida pela explosão tornou impossível o acesso de veículos à ponte - mas não o de infantaria. Timmermann voltou-se para um líder de esquadrão e disse:

- Agora, vamos atravessar essa ponte antes...

Nesse mesmo instante, houve outro estrondo ensurdecedor. Os alemães tinham detonado uma carga de demolição emergencial colocada quase no meio da ponte. Assombrados, os homens da Companhia A viram boquiabertos o tabuleiro da gigantesca ponte arquear-se e aço, madeira, poeira e uma nuvem de fumaça densa e negra se misturarem na atmosfera. Muitos deles se atiraram ao chão.

Ken Hechler, em seu The Bridge at Remagen, um dos melhores relatos da atuação do exército americano na Segunda Guerra Mundial e um modelo de testemunho histórico, descreve-nos o que aconteceu em seguida: "Todos ficaram aguardando a reação de Timmermann. 'Graças a Deus, agora não teremos que atravessar essa coisa maldita', disse, veemente, o sargento Mike Chinchar, como tentativa de confortar a si mesmo. O praça Johnny Ayres golpeou levemente com a ponta de um dos dedos as duas granadas presas a argolas em sua mochila e meneou positivamente a cabeça: - Nós não teríamos chance.
Mas Timmermann, que estivera tentando divisar, em meio à densa nuvem de poeira e fumaça, o que havia sobrado da ponte, exclamou: - Vejam - ela ainda está de pé. A maior parte da nuvem de poeira e fumaça se havia dissipado, mas, nisto, os homens foram tomados pelo mesmo pasmo de seu comandante. A visão da ponte ainda estendida sobre o Reno não causou nenhum entusiasmo aos homens. Ao contrário: o colosso lhes pareceu um espectro indesejado. A missão suicida ressuscitara".

 

Tropas americanas atravessam a ponte, ainda de pé



Timmermann viu que os engenheiros alemães, demorando-se na extremidade oriental da ponte, puseram-se a trabalhar freneticamente para efetuar outra tentativa de destruí-la. Quando o oficial americano girou o braço por cima da cabeça para dar aos homens o aceno de "Sigam-me", o fogo de uma metralhadora acoitada numa das torres da ponte os deteve.
Mas um dos tanques da Companhia A se aproximou da beira da cratera criada pela explosão e destroçou a torre, extinguindo o fogo alemão.

- Avancem - bramiu Timmermann.
- Nós nos encontraremos no outro lado e comeremos frango no jantar - tornou, também aos brados, o major Deevers.
- Frango, meu caro, sou todo frango neste momento - disse, à guisa de protesto, um dos homens do pelotão.
- Avancem - ordenou Deevers, embora ruborizado.
- Deixe-me dizer-lhe uma coisa: não vou lá para ser mandado pelos ares - tornou o soldado. - Não, senhor major, você pode me enviar para a corte marcial e matar-me, mas não piso essa ponte.

Timmermann começou a gritar.

- Movam-se, rapazes, movam-se.

E deu o exemplo, avançando ele mesmo para a ponte. Foi o bastante. O pelotão da vanguarda o seguiu, e seus homens se abaixaram, correram e se jogaram para a esquerda e para a direita, enquanto tomavam cuidado para não serem surpreendidos por buracos no madeirame sobre os trilhos da linha (colocado ali pelos alemães para que seus veículos pudessem retirar-se pela ponte), mas sempre se movendo na direção dos alemães na margem oposta do rio.

O sargento Joe DeLisio foi à frente do primeiro esquadrão. Os sargentos Joe Petrencsik e Alex Drabik lideraram o segundo. A despeito de mais fogo de metralhadoras e canhões antiaéreos de 20 milímetros, eles continuaram a avançar contra o inimigo.

- Continuem avançando - clamava Timmermann. Seus homens imitaram-lhe a atitude.
- Continuem avançando - bradavam uns para os outros. - Continuem avançando.

Os engenheiros seguiam logo atrás deles à procura de cargas de demolição e cortando fios elétricos.

Na margem oposta, à entrada do túnel, viram um engenheiro alemão pressionando o êmbolo de um detonador. Não havia saída, a não ser continuar avançando. Mas nada ocorreu - aparentemente, uma bala ou um projétil perdido cortara o fio ligado às cargas de demolição. A meio caminho da ponte, três homens encontraram três caixotes de TNT pesando 15 quilos cada um, presos a colunas de sustentação do tabuleiro da ponte, Usando alicates especiais, trabalharam junto às cargas de demolição até que se soltassem e caíssem no rio. DeLisio arremeteu para as torres, subiu correndo a escada circular de uma delas à sua direita, de onde partiam os disparos, e, no quarto nível, encontrou três operadores de metralhadora alemães atirando contra os homens na ponte.

- Hände hoch! - ordenou DeLisio.
Os alemães se renderam; ele pegou as armas que o inimigo estivera usando e as arremessou pela abertura. Os soldados lá embaixo na ponte viram-nas cair e se sentiram grandemente encorajados. Depois disso, Drabik pôs-se a correr a toda velocidade, passou pelas torres e alcançou a margem oriental. Ele foi o primeiro soldado americano a atravessar o Reno.
Outros lhe seguiram os passos e, rapidamente, fizeram prisioneiros os engenheiros alemães que se encontravam no túnel. Timmermann ordenou que o tenente Burrows e seu pelotão escalassem a Erpeler Ley, dizendo: - Você sabe o que fazer, Jim. É como o velho exercício do Forte Benning: tomar o terreno elevado e controlá-lo. Anos depois, Burrows disse, a respeito disso:

- Tomar Remagen e atravessar a ponte foi fácil se comparado com a escalada daquela ribanceira.

O tenente sofreu baixas, mas conseguiu chegar ao topo, onde deparou com um número tão grande de alemães e veículos inimigos espalhados por vários pontos à sua frente que não lhe foi possível nem mesmo pensar em atacá-los. Viu-se obrigado, portanto, a deter-se na beira da ribanceira. Mas ele alcançara um ponto privilegiado, e os americanos tinham atravessado o Reno.

O praça Heinz Schwarz, de 16 anos, natural de uma vila situada a pouca distância de Remagen e à margem oriental do rio acima, encontrava-se no túnel.

- Éramos todos garotos - disse ele. - Os soldados mais velhos de nossa unidade permaneceram no túnel, mas o restante de nós ficou curioso e foi até uma das torres da ponte para dar uma espiada.

Lá, ele ouviu a ordem:

- Desçam todos! Vamos explodir a ponte! Em seguida, ouviu a explosão e viu a ponte arquear-se.

- Achamos que ela tinha sido destruída e que estávamos salvos.

Mas, quando a nuvem se desfez, viu Timmermann e seus homens se aproximando. Ele desceu correndo a escada circular e foi para a entrada do túnel, quase no mesmo instante em que DeLisio alcançou a torre.

- Tudo o que eu sabia era que, de um modo ou de outro, eu tinha que sair pela entrada traseira do túnel e correr para casa, para os braços de minha mãe, tão rapidamente quanto possível.

 

Representação do ataque de um Me262 à ponte


Ele conseguiu. Quinze anos depois, tornou-se membro da Bundestag. Numa cerimônia, em 7 de março de 1960, ele se encontrou com DeLisio. Os dois trocaram histórias. Assim que a notícia do êxito de Timmermann ascendeu pela hierarquia de comando, passando pelo regimento, divisão, corpo do exército e região militar, cada um dos generais reagiu ordenando que os homens que se encontravam no local das operações atravessassem a ponte, que engenheiros a reparassem, que as unidades na região tomassem outro rumo e seguissem para Remagen. Bradley era o mais entusiasmado de todos. Ele estivera temeroso de poder cumprir apenas um papel secundário na campanha final, mas, com Hodges do outro lado da ponte, ele decidiu imediatamente que envolveria tão profundamente o I Exército nas operações, que Eisenhower teria que apoiar o estabelecimento da cabeça-de-ponte.

Primeiramente, contudo, Bradley teria que passar pelo general Bull. O G-3 do SHAEF se havia posto a favor de Bradley quando a notícia chegou. Quando Bradley descreveu as linhas gerais de seu plano, Bull, relatou Bradley, "olhou para mim como seu eu fosse um herege. E disse, com escárnio:

‘- Você não vai a lugar algum, lá embaixo em Remagen. Você tem uma ponte, mas ela está no lugar errado. Ela simplesmente não se encaixa no plano.’

- Ora, essa. Que você quer que façamos: que nos retiremos para explodi-la? - perguntei, desafiante'".

Bradley se pôs ao telefone para falar com Eisenhower. Quando soube das novidades, Eisenhower ficou exultante. E disse: - Brad, isso é maravilhoso. Bradley disse a ele que desejava fazer passar para o outro lado do rio tudo o que lhe fosse possível.

- Claro - aprovou Eisenhower -, atravesse-o, sim, com tudo o que você tiver. É a melhor ruptura que fizemos até hoje.

Bradley achou necessário dizer-lhe que Bull discordava de suas idéias.

- Pro inferno com os estrategistas - disse Eisenhower bruscamente. - Não, Brad, você deve prosseguir. Eu lhe darei tudo o que temos para controlar essa cabeça-de-ponte. Faremos bom uso dela mesmo que o terreno não seja tão favorável.

Os alemães concordavam com o ponto de vista de Eisenhower e Bradley, segundo o qual a Ponte de Ludendorff se tornou, de um momento para o outro, o ponto estratégico mais importante da Europa. Portanto, assim como os americanos, eles começaram a enviar às pressas tropas e veículos para o local, a fim de restringir e, depois, eliminar a cabeça-de-ponte, e fazer o último grande emprego da Luftwaffe para destruir a ponte.

O major Pauls, que quase fora enviado à corte marcial em Bonn por fazer seus tanques e sua artilharia atravessarem a ponte na manhã de 7 de março, ouviu, à tarde, elogios do alto comando "por ter ficado alerta e tê-la atravessado quando pôde". Na noite de 7 para 8 de março, recebeu ordens para marchar para o sul imediatamente, em demanda de Remagen.
Na manhã do dia 8, a Luftwaffe atacou. O sargento Waldemar Führing, um dos homens do major Pauls, chegou a tempo para assistir ao ataque: - Fiquei a uns 800 metros de distância, atrás de alguns arbustos, e pude ver como os nossos Stukas tentaram destruir a ponte. Nossos pilotos foram corajosos, pois se aproximaram muito dela. Mas nenhuma bomba atingiu a ponte.

 

Uma bateria anti-aérea em uma das margens



Duas grandes massas de homens avançavam em demanda de Remagen. Para os alemães, esse avanço foi uma marcha infernal, pois tiveram que vencer a lama, engarrafamentos, veículos abandonados e cavalos e homens mortos. Os Piper Cubs os localizavam e concorriam para fazer cair sobre eles bombardeios colossais da artilharia americana posicionada na margem ocidental do rio.

Para os americanos, o inferno foi a travessia da ponte. Ao se aproximar de uma das torres da ponte na margem ocidental, o capitão Roland, da 99ª Divisão, viu, inscrito numa placa: "Atravesse o Reno com os pés secos. Cortesia da 9ª Divisão de Blindados". Quando a atravessou, o que fez na noite de 7 para 8 de março, "minha mente pareceu transportar-se para o momento histórico em que César atravessou o rio nesse mesmo local, para combater o mesmo inimigo, 2 mil anos antes. Meu devaneio foi interrompido pelo zunido e pelas explosões dos projéteis inimigos.

Como me senti exposto e vulnerável naquela tira de metal suspensa bem acima das águas negras e agitadas... Continuar caminhando se tornou algo extremamente difícil. Tinha a sensação de que cada projétil era-me lançado diretamente contra o peito. Mas, em verdade, nós, que tínhamos alcançado a ponte, estávamos relativamente seguros. As bombas estavam caindo sobre pontos nas proximidades da ponte, em meio às tropas em marcha, as quais sofreram muitas baixas".

Na ponte, um projétil caía-lhe sobre a estrutura, ou perto dela, a cada cinco minutos. O coronel William Westmoreland (USMA, 1936), chefe do estado-maior da 9ª Divisão de Infantaria, fez a travessia, à noite, deitado de bruços sobre o capô de um jipe, como auxílio para que o motorista evitasse os buracos no madeiramento. Na manhã do dia seguinte, providenciou a montagem de uma bateria de peças antiaéreas no topo da Erpeler Ley.
Nesse dia, viu, pela primeira vez, um avião a jato.

Hitler ordenou que fossem levados à corte marcial os responsáveis pelo fracasso na destruição da ponte. A travessia dos americanos em Remagen custou ao marechal-de-campo von Rundstedt seu posto de comandante no oeste; no dia 8 de março, Hitler o exonerou e pôs o marechal-de-campo Albert Kesselring em seu lugar. O Führer demitiu outros quatro generais e ordenou a realização de ataques constantes e com força máxima para destruir a ponte, até mesmo com o emprego dos jatos que Westmoreland vira, em operações com bombas V-2, homens-rã, para colocar explosivos em sua estrutura, e bombardeios de artilharia. Os americanos se apressaram em transportar armas antiaéreas para o local.

- [Quando os aviões alemães apareceram] Nossos rapazes dispararam tantos tiros que o solo tremeu; foi assombroso. Todo o vale em torno de Remagen ficou coberto de fumaça e poeira antes de os alemães partirem, apenas três minutos depois de terem aparecido pela primeira vez - disse um observador do ataque alemão.

A luta pela cabeça-de-ponte continuou. Os americanos deitavam intenso fogo de artilharia sobre os alemães, dependendo das orientações dos observadores avançados nos Piper Cubs, que indicavam a localização dos alvos principais para o lançamento dos projéteis. O sargento Oswald Filla, comandante de uma unidade de panzers, nos fala "da incrível quantidade de tiros de artilharia". Seus observadores de artilharia nos ares eram muito bons. Toda vez que nos dirigíamos a algum ponto em torno da cabeça-de-ponte para ver o que podia ser feito, dispúnhamos, no máximo, de meia hora antes de os primeiros projéteis nos alcançarem".

À medida que a infantaria e os blindados forçavam o recuo dos alemães, centenas de engenheiros trabalhavam para reparar a ponte, mesmo quando estava sendo bombardeada, enquanto outros milhares de engenheiros mourejavam no assentamento de pontes flutuantes que dessem acesso à cabeça-de-ponte. O 291º Batalhão de Engenharia de Combate, comandado pelo tenente-coronel David Pergrin, trabalhou com resolução inquebrantável, em que pese os ataques da artilharia e da força aérea alemãs. Além disso, os engenheiros construíram uma barreira com toras e redes, rio acima, para interceptar explosivos alemães que pudessem ser levados para a ponte pela correnteza.

O capitão Jolm Barnes (USMA, 1942), do 51º Batalhão de Engenharia de Combate, era um dos incumbidos da construção de uma ponte flutuante de 21 toneladas. A descrição que nos dá da forma pela qual isso foi feito ilustra bem quão aptos os engenheiros americanos se haviam tornado nesse mister. Sua construção começou às 16 horas do dia 10 de março, e a montagem das rampas de acesso se deu a dois quilômetros rio acima em relação à ponte (ao sul desta). Tufos de fumaça gigantescos, emitidos por geradores, protegiam os engenheiros dos atiradores de elite alemães, mas "tiros indiretos da artilharia inimiga fustigavam as áreas circunvizinhas à ponte. Vários engenheiros ficaram feridos, e seis foram mortos. Os alemães chegaram mesmo a disparar bombas V-2 de plataformas de lançamento na Holanda, mas essa foi a única vez que o fizeram contra o solo alemão".

Os trabalhos de construção prosseguiram noite adentro.

- A ponte foi construída por partes, com quatro grupos trabalhando simultaneamente na montagem de balsas de quatro flutuadores, tarefa feita, em sua maior parte, por causa da escuridão, com o apoio do tato. Por volta das 4 horas do dia seguinte, 14 balsas de flutuadores quádruplos tinham sido construídas e estavam prontas para serem reunidas na montagem de uma ponte. Quando as balsas foram postas em seus devidos lugares, os engenheiros fizeram que as reforçassem com flutuadores pneumáticos, assentados entre os tabuleiros das pontes flutuantes de aço, de modo que a ponte, como um todo, pudesse suportar as 36 toneladas dos tanques sherman.

Os engenheiros usaram âncoras de três braços para fixar as balsas, mas as âncoras não conseguiam suster a parte da ponte que se estendia sobre o meio do rio, apesar da ajuda de barcos motorizados.

"Mais ou menos nessa época, soubemos que a marinha dispunha de alguns LCVPs na área e solicitamos sua ajuda. Dez deles nos foram enviados como auxílio. Eles conseguiram sustentar a ponte contra a correnteza até que conseguíssemos instalar cabos de aço de uma polegada entre ambas as margens do Reno, logo acima da ponte, e ao qual as âncoras de cada um dos tabuleiros flutuantes da ponte foram presas. Isso solucionou o problema de manter a ponte estável em relação à correnteza. Os tabuleiros de quatro flutuadores foram fixados ao cabo da âncora e postos cuidadosamente no devido lugar e presos à ponte, que se alongava cada vez mais, até que, por fim, alcançou a margem oposta.

"Finalmente, às 19 horas do dia 11 de março de 1900 [sic], 27 horas depois de iniciada a sua construção, a ponte flutuante de 440 toneladas foi terminada. Ela foi a mais longa ponte flutuante construída pelo Corpo de Engenheiros do Exército sob fogo inimigo. O tráfego através dela teve início às 23 horas, a partir das quais um veículo passou a cruzar-lhe a extensão a cada dois minutos. Durante os sete primeiros dias, 2.500 veículos, incluindo tanques, passaram pela ponte".

Em 17 de março, a grande estrutura da Ponte de Ludendorff, golpeada impiedosa e primeiramente pelos americanos e, depois, pelos alemães, acabou desabando abruptamente e, em seguida, despedaçou-se estrondosamente, pelo que matou 28 e feriu 93 dos engenheiros que trabalhavam em sua estrutura. Mas, a essa altura, os americanos tinham seis pontes flutuantes sobre o rio e nove divisões transpostas para a margem oriental.
Agora, eles estavam em condições de avançar para o leste e, em seguida, unirem-se ao IX Exército, que estaria atravessando o Reno ao norte de Düsseldorf. Quando o I e o IX Exércitos se encontrassem, sitiariam o XV Exército Alemão no vale do Ruhr. O I Exército precisou combater durante dez dias através de ravinas profundas e florestas densas e enfrentar oposição feroz para alcançar a auto-estrada, que ficava a apenas 11 quilômetros de Remagen. Mas, uma vez lá, passou a dispor de boas estradas, que davam acesso ao norte.

 

A ponte Erich Ludendorff minutos após sua queda

Fonte deste artigo: Soldados Cidadãos – Stephen E. Ambrose – Bertrand Brasil

 

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