Os acordos que puseram à Primeira Guerra Mundial, especialmente o tratado de Versalhes, imposto à Alemanha, não receberam um tratamento simpático diz os historiadores - na melhor das hipóteses foram consideradas inválidas; na pior, foram criticados por conter as origens de um segundo conflito. Três outras razões devem ser consideradas: a Depressão foi tão importante nos acontecimentos entre as guerras quanto um acordo deficiente de paz; a revisão do tratado de Versalhes nos anos 30 não evitaria a guerra; e o primeiro desafio estabelecido em Versalhes não veio da Europa, mas do Extremo Oriente, e por razões não relacionadas no tratado.
O expansionismo japonês nos anos 30 surgiu a partir do desejo de auto-suficiência econômica,segurança militar e liderança na Ásia Oriental. Sob o impacto da depressão o Japão invadiu a Manchúria depois de setembro de 1931, e iniciou a anexação de províncias vizinhas. Em 1936, o Jehol já fora anexado ao Estado Fantoche de Manchukuo, na Manchúria, e a autoridade chinesa nas províncias fronteiriças ficou comprometida. Essas anexações deram ao Japão o controle de uma economia que acabou motivando grande parte de sua expansão subseqüente e também de déficit comercial do final de 1930. Esses fatos se refletiram sobre a Europa, por dois motivos: Primeiro, a expansão japonesa na Ásia resultou de um crescente nacionalismo militante, acompanhado de uma militarização da sociedade que contribuiu para a queda do governo democrático do Japão. Segundo, a conquista de Manchúria desafiou os objetivos mais importantes do tratado de Versalhes: a manutenção da autoridade internacional da Liga das Nações Unidas foi criticado por duas debilidades: a incerteza sobre se a paz deveria ser assegurada pela manutenção ou pela revisão do Tratado de Versalhes e a ausência de duas potências mais importantes URSS e EUA. Na década de 20, porém, numerosos tratados adicionais - notadamente os firmados em Washington e Locarno - e um desejo generalizado de paz proporcionaram um período de otimismo.
Antes da depressão, com a URSS preocupada com problemas internos, a única ameaça real à ordem do pós-guerra vinha da Itália fascista. Mas a Itália, a menor das grandes potências estava marginalizada: a supremacia da França na Europa era tão notória que impedia qualquer sonho de equilíbrio e obtenção de vantagens por parte da Itália. No entanto, iniciada a Depressão, esse equilíbrio passou a ser possível com o ressurgimento da Alemanha como poder potencialmente mais forte na Europa. Sob o comando de Hitler,após 1933, a Alemanha concentrava suas energias em reverter o veredicto de 1918 e estava ciente da fraqueza da Grã-Bretanha e da França após o fracasso da Liga das Nações na oposição à ocupação japonesa em Manchúria. O desafio de Hitler à ordem pós-guerra ficou emcoberto até 1936, quando a decisão da Itália de anexar a Abissínia ao seu império abalou suas relações com a Grã-Bretanha e a França. Depois disso, houve uma sucessão de crises. A Alemanha reocupou a Renânia em março de 1936 e a França conseguiu reagir, apesar de ter golpeado o núcleo do sistema de alianças com o qual ela havia cercado a Alemanha. Em julho de 1936, houve uma tentativa do exército espanhol de derrubar o governo republicano eleito democraticamente. O fracasso da tentativa levou à guerra civil espanhola e desviou a atenção da França e da Grã-Bretanha de fatos ocorridos em outros lugares. Em novembro de 36, a Alemanha, Itália e Japão firmaram o pacto anti-comintern, visando neutralizar a URSS. O pacto foi um aviso as democracias de que a crescente aliança entre os três países desafiavam a ordem existente.
Em dezembro de 1936, a China tentou por fim as suas guerras civis para forma uma frente unida contra a futura invasão do Japão e suas ambições sobre a China dependiam da divisão da fraqueza chinesa, as Forças Armadas japonesas um incidente sem importância para iniciar a invasão da China Central e Setentrional, em julho de 1937. Em outubro de 1938, a maior parte da China ao norte do rio Yangtzé havia sido ocupado por forças japonesas; mas apesar de ser responsáveis por regimes fantoches em sua área de conquista, o Japão percebeu que não poderia terminar sua aventura na China nem pela força nem por negociação.
Na Europa, em outubro de 38, o cenário havia sido transformado em duas crises - a anexação alemã a Áustria e a aceitação do franco-britânico de desmembrar a Tcheco-Eslováquia, numa tentativa de preservar a paz geral na Europa por meio do apaziguamento da Alemanha. Na verdade, a Alemanha não poderia ser apaziguada: sua ocupação de que sobrara do Estado Tcheco e do Memel, em março de 39, forçou a Grã-Bretanha e a França a reconhecerem o paradoxo de que a paz só podia ser assegurada pela guerra ou pela ameaça de guerra. Contudo, para torna essa ameaça verossímil, a Grã-Bretanha e a França precisavam se associar à União Soviética, o que não conseguiram. O resultado, em setembro de 1939, foi o inicio gradual da guerra na Europa, com a Alemanha concentrando esforços em direção a países que eram individualmente menores ou menos poderosos do que ele até que, no segundo trimestre de 41, o domínio alemão do continente europeu só pode ser desafiado pela União Soviética.
Soldados Alemãs Avançando sobre a Europa
Pelotão Alemão avançando sobre a Europa
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