As Armas de Represália -  V1 e V2

 

 

A batalha das "armas secretas"

A destruição de Lubeck pela aviação aliada na primavera de 1942 provocou a ira de Hitler, que ameaçou com apocalípticas represálias o povo britânico, aludindo a certas "armas secretas" de potência devastadora. Pouco depois a Luftwaffe e a Wehrmacht receberam ordens de acelerar os grandes projetos em que seus técnicos trabalhavam: eram, respectivamente, um avião não tripulado e um foguete de longo alcance. A 3 de outubro de 1942 foi lançado na estação experimental de Peenemunde o primeiro foguete, posteriormente conhecido como V-2; a 24 de dezembro desse ano era testado o avião não tripulado, ou bomba-voadora, chamado depois V-1. 

 

Enquanto os alemães criavam o 65o Corpo, encarregado de operar as novas armas, e construíam na costa francesa do Passo de Calais as rampas de lançamento para as V-1, começaram a chegar a Londres informes bastante precisos acerca da nova ameaça que pairava sobre as ilhas. Por ordem do comitê "'Crossbow", encarregado de contra-atacar qualquer possível ofensiva das armas secretas, foi intensificado o reconhecimento fotográfico aéreo da costa francesa e da base experimental de Peenemunde, que foi virtualmente destruída por um bombardeio a 17 de agosto de 1943. Outros devastadores ataques aéreos a indústrias vinculadas com a produção de "armas secretas" - Kassel, Friedrichshafen, Hamburgo, Wiener Neustadt - impuseram demoras e alterações na montagem que foi ainda transferida para uma mina abandonada próxima a Niedersachswerfen. Para evitar a ação aérea inimiga, as tropas do 65o Corpo foram enviadas para o leste da Alemanha e à Polônia (Blizna) para completar o seu treinamento. Em fins de 1943, o Flakregiment 155 W, que operaria as V-1, ocupou suas posições na França. Enquanto isso, a aviação aliada concentrou seus ataques nas rampas de lançamento, lançando mais de 30.000 toneladas de bombas até junho de 1944. Os técnicos britânicos puderam examinar um foguete V-2 caído acidentalmente em Malmö, Suécia, e quase ao mesmo tempo chegava a Brindisi (Itália) em vôo clandestino, vindo de Blizna, um emissário da Resistência polonesa portador de uma excepcional documentação relativa às armas secretas alemãs. Assim, quando a 13 de junho caía a primeira V-1 sobre a Inglaterra, as defesas estavam perfeitamente alertadas e as autoridades conheciam a natureza das "armas secretas".  

A ofensiva V-1  

Os ataques aéreos maciços inimigos não haviam desarticulado a rede de rampas para o lançamento da V-1, já que uma proporção muito elevada das 30.000 toneladas de bombas caíram, por erros de interpretação, sobre objetivos de valor não militar - bases abandonadas pelos alemães com a intenção de servirem de isca para a aviação aliada. Mesmo assim, a supremacia aérea aliada impunha sérias dificuldades nos abastecimentos e comunicações do Flakregiment 155 W, cujas baterias somente entraram em condições operativas a 13 de junho de 1944. 

Nesse dia, às 4h30m, cruzava a costa britânica a primeira das dez "bombas-voadoras" disparadas contra Londres no decorrer dessa jornada. Dessa data até 14 de setembro, em que o Flakregiment 155 W lançou a ultima V-1 sobre as ilhas, cruzaram a linha da costa uns 6.725 projéteis - uma média de quase 100 diários - quase todos dirigidos contra Londres. Porém o Comando da Defesa Aérea da Grã-Bretanha, confiado ao Marechal-do-Ar Hill, estava preparado para fazer frente à nova situação. Uma distribuição adequada dos radares de detecção; de um "cinturão antiaéreo" integrado por 412 canhões pesados, 1.184 leves e 200 baterias de foguetes; dois esquadrões de caça interceptadores, e, como última linha defensiva, de uma barreira de mais de 1.500 balões a sudeste de Londres, permitiu uma ação conjugada dos elementos defensivos que resultou na destruição no ar de mais de 3.500 "bombas voadoras". Simultaneamente, os aviões do Comando de Bombardeio, cuja operação foi reiteradamente requerida por Hill, lançaram entre 15 de junho e 1o de setembro, mais de 80.000 toneladas de bombas sobre objetivos vinculados com a V-1. 

Finalmente, o avanço dos exércitos aliados pela França obrigou os alemães a abandonar suas posições na costa do Canal para retirar-se precipitadamente para Bruxelas. A primeira fase da ofensiva V-1 havia concluído com resultados muito modestos. Diferente teria sido o seu efeito se o Flakregiment 155 W tivesse podido dispor dos 500-800 projéteis diário que figuravam nos planos originais. Porém, a essa altura da guerra, nem a  indústria, nem o sistema de transportes alemão podiam corresponder a semelhante esforço.  

A dupla ameaça

A ofensiva V-2 se iniciou a 8 de setembro de 1944, com um foguete que caiu num subúrbio de Paris; nesse mesmo dia, às 20h43m, caía em Chiswick o primeiro projétil V-2 dos 1.403 que, até 27 de março de 1945, chegariam à Grã-Bretanha numa média de 7 por dia. Tropas das SS às ordens do General Kammler tinham a seu cargo a operação da nova arma, de posições próximas a Haia. As medidas que tão bom resultado deram ao Marechal Hill frente à V-1, eram ineficazes para a V-2, em vista da enorme velocidade e altura alcançadas pelo foguete. A única coisa que podia neutralizar a ameaça era o bombardeio sistemático e intensivo das supostas zonas de lançamento; porém, em poucas ocasiões dispôs Hill da colaboração do Comando de Bombardeio, cujos aviões estavam empenhados em uma campanha devastadora contra a indústria e as comunicações alemães. 

Ao ataque com os foguetes somou-se, a 18 de setembro, a retomada da ofensiva V-1 pela III KG 3, uma unidade da Luftwaffe, composta de veteranos Heinkel He-111 adaptados para o lançamento aéreo da "bomba-voadora". Esta formação operava de aeródromos do oeste da Alemanha e chegou a lançar até 14 de janeiro de 1945, uns 1.200 projéteis, dos quais somente 638 cruzaram a costa, sendo derrubados 403 pelas defesas. A 3 de março de 1945, os alemães iniciavam uma curta e tardia ofensiva com uma versão modificada da V-1, de rampas em território holandês; até o dia 29 desse mês foram disparadas 275, das quais somente 13 chegaram ao alvo. Depois dessa data, os alemães se retiraram ante o avanço aliado, para evitar que seus equipamentos fossem capturados; as tropas do 65o Corpo se renderam no dia 9 de maio às vanguardas do 9o Exército americano.

 

 

 

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