Bomba
Ohka
Aeronave
Suicida da Marinha.

Conquanto os primeiros ataques Kamikazes ocorressem com o caça Zero em outubro de 1944, a Marinha considerara esse meio de assalto “de última chance” muitos meses antes do primeiro mergulho-suicida. Nos meses que precederam o início real dos ataques Kamikazes, a Marinha estudou várias propostas para tais operações, vindas de diversas fontes. A primeira recomendação, de fato, para o emprego do avião-suicida Ohka (Flor de Cerejeira) veio de um subtenente Mitsuo Ota. Em fins de 1943 e no início de 1944, Ota participou das desesperadas batalhas travadas pelos nossos grupos aéreos contra os americanos, notadamente a veloz e agressiva força-tarefa. Mais tarde, em meio às esmagadoras derrotas nas Marianas e nas Carolinas, derrotas novamente infligidas pelos porta-aviões inimigos, Ota teve uma excelente oportunidade de estudar de perto as deficiências dos nossos métodos de ataque. Evidentemente, a única maneira de salvar uma guerra, na qual o inimigo devastava nossas mais poderosas bases com relativa impunidade, era destruir o seu lado mais fraco - os porta-aviões.
Ota propôs a seus superiores que, dados os insignificantes danos infligidos por nossos bombardeiros de mergulho e torpedeiros nas forças-tarefa americanas, que, por sua vez, derrubavam um número alarmante de aviões japoneses, procurássemos destruir os navios de guerra inimigos por meio de bombas pilotadas. A proposta do jovem subtenente encontrou fraca oposição, e, através dos canais oficiais, chegou aos altos escalões militares. Os oficiais consultados a respeito do novo plano não tinham alternativa senão concordar com a decisão de empregar bombas-suicidas; numa Marinha que não sancionaria a derrota, e cujos aviões raramente lograram romper os cordões defensivos dos Hellcats, os bombardeios-suicidas representavam o único meio de afundar os principais navios inimigos, ou de infligir-lhes pesados danos.
Em agosto de 1944, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimentos da Marinha constituiu um programa de emergência para desenvolver bombas pilotadas especiais, que levaram primeiramente o nome de Ota, e que, desde então, se tornaram conhecidas como projeto Marudai. De fins de outubro a novembro, levamos a efeito acelerados testes de vôo com essas novas bombas. Tóquio estabeleceu um novo corpo aéreo encarregado da missão de operar as armas Marudai, e em fins de novembro o treinamento de pilotos ia de vento em popa. O capitão Motoharu Okamura, um dos mais famosos ases da aviação japonesa, tornou-se o comandante do corpo; Okamura selecionou os mais experimentados pilotos de caça e de bombardeiros de mergulho. Realmente, esses pilotos foram selecionados antes para os ataques Kamikaze nas Filipinas. A seleção era desnecessária, além das escolhas críticas feitas por Okamura; voluntários acorriam aos milhares para a nova operação, a despeito do “caráter especial” das futuras missões.
A nova unidade foi designada com o nome de Jinrai Butai (Corpo do Divino Trovão). No momento em que treinavam com as pequenas bombas pilotadas, o Japão recebeu a notícia dos primeiros ataques Kamikaze, com caças Zero no teatro bélico das Filipinas. Francamente, os pilotos Jinrai Butai ficaram desapontados por não terem sido os primeiros Kamikazes.
Enquanto os aviões-suicidas Zeros estavam limitados a bombas de 550 libras, as bombas Marudai levavam uma carga explosiva de 2.640 libras, suficientemente poderosa para afundar o maior navio de guerra. A primeira bomba operacional recebeu o nome de Modelo 11 Ohka. As primeiras produções da bomba Ohka (Flor de Cerejeira) deveriam ser aplicadas nas Filipinas, então em Formosa, e, por fim, em Okinawa.
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Ohka
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Os americanos nunca souberam que haviam infligido um severo golpe contra as nossas operações iniciais com as bombas Ohka. Em fins de novembro de 1944, o gigantesco porta-aviões Shinano zarpou de Yokosuka em sua viagem inaugural. A bordo do couraçado, tipo Yamato, convertido em porta-aviões, estavam cinqüenta das novas bombas. Em 29 de novembro o Shinano foi a pique ao sul de Osaka, algumas horas depois que o submarino Archerfish disparara seis torpedos contra o maior porta-aviões do mundo. Todas as bombas Ohka perderam-se com o navio. No fim da guerra despachamos um número dessas bombas a Formosa e Okinawa. Durante a selvagem luta pela Ilha de Iwo Jima, em fevereiro de 1945, fizemos diversas experiências de combate com as bombas Ohka, mas não encontramos oportunidade então para determinar os efeitos da nova arma.
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Porta-aviões
Shinano
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Em 21 de março de 1945, as bombas foram usadas pela primeira vez. Os porta-aviões americanos haviam devastado a costa ocidental do Japão. Lançando caças e bombardeiros para atacar nossas fábricas e cidades com metralhadoras, canhões, foguetes e bombas. As forças-tarefa levaram a Marinha a ousar o pior. No dia 18, com a frota inimiga começando a retirar-se, o vice-almirante Matome Ugaki, comandante chefe da Quinta Frota Aérea, e comandante de todas as unidades aéreas da Marinha na área de Kyushu, ordenou ao capitão Okamura que atacasse os porta-aviões americanos com bombas Ohka.
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Vice-almirante
Matome Ugaki
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O tenente-comandante Goro Nonaka conduziu dezesseis bombardeiros Betty, cada qual levando no bojo uma bomba Ohka Modelo 11, e dois bombardeiros regularmente armados em busca da frota inimiga. Trinta Zeros escoltaram a formação de bombardeiros; originalmente haviam sido programados cinqüenta e cinco caças para essa missão de escolta, mas as batalhas do dia precedente haviam resultado na perda de muitos caças. O Estado-Maior de Okamura achou que trinta Zeros não poderiam proporcionar suficiente proteção para permitir que os bombardeiros rompessem a barreira dos Hellcats, mas o almirante Ugaki ordenou o ataque, a despeito das objeções. O tenente comandante Nonaka levou seus aviões sobre o mar aberto com pouca esperança de sobreviver. Trezentas milhas ao sul de Kyushu e apenas cinqüenta milhas dos porta-aviões inimigos, parecia que realmente teria oportunidade de aplicar um golpe demolidor na frota. Abruptamente, pelo menos cinqüenta caças Hellcats atiraram-se ao ataque; os trinta Zeros da escolta envolveram-se em feroz e inútil combate. Pouco depois, cada um dos dezoito bombardeiros mergulhou no oceano, bem como quinze Zeros. A barreira dos Heilcats ainda era impenetrável.
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Outra oportunidade, e foi a única, que surgiu para o emprego das bombas Ohka contra os americanos teve lugar durante a defesa de Okinawa. Um total de setenta e quatro bombas deixaram suas bases; cinqüenta e seis Ohka foram lançados dos bombardeiros ou abatidos quando ainda no bojo do avião. Desse número recebemos a confirmação de um golpe certeiro de bomba Ohka, em 16 de abril, e pilotos relataram vários outros mergulhos bem sucedidos contra navios inimigos. Contudo, em muitos casos, nossos aviões de observação não lograram esquivar-se dos caças Hellcats, e a confirmação era duvidosa. Somente no fim da guerra recebemos relatórios definidos, segundo os quais a maioria das Ohkas havia realmente causado danos consideráveis nos navios de guerra americanos e que, como se esperava, o aspecto das bombas pilotadas causaram um efeito impressionante sobre o moral do inimigo.
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Os americanos tinham sua própria identificação para as bombas Ohka, dando aos aviões-suicidas o nome em código de Baka (boba). Nossos oficiais lamentaram a impossibilidade de empregar as Ohkas na escala originalmente projetada; achavam que várias centenas desses engenhos suicidas, com sua poderosa carga de explosão, poderiam ter levado a catástrofe sobre as frotas americanas.
Durante o último ano da guerra, a Marinha apressou o desenvolvimento de variações de Ohka para ataques-suicidas. Essas incluíam a Ohka Modelo 22, propulsionado com motor a jato; a Ohka Modelo 33, com turbojato propulsão; e o engenho Shinryu (Divino Dragão), que utilizava foguete de combustível sólido para decolar. Desenvolvendo seus próprios modelos dos tipos da Marinha, o Exército lançou um programa para a construção do Tsurugi (Espada), todo de aço, no qual se podia montar qualquer tipo de motor; a versão da Marinha desse tipo era o Toka (Glicínia).
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Aeronave
Suicida Ki-115 Tsurugi
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Contudo, no momento em que esses modelos iniciaram seus testes de vôo, a guerra terminou.
Fonte: http://www.skbrasil.com.br/artigos/artigohideki.htm
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