Do comportamento do soldado alemão
Ao
soldado alemão foi atribuído injustamente juízos injuriosos e não
condizentes com a realidade. O comportamento rígido, sem dúvida, exigido da
classe militar fazia parte da doutrina nazista. Por isso o combatente alemão
era melhor. Mas daí à rispidez no trato com a população a distância é
longa. Sua educação era fator determinante. O trato germânico aos povoados
ocupados era muito amistoso. Os exércitos do III Reich prestavam assitência às
pessoas e eram bem quistos pelos territórios que cruzavam. Não saqueavam casas
e estabelecimentos em suas incursões, tal como os aliados fizeram, ainda que
necessitassem. Usavam de seu próprio dinheiro para adquirir qualquer coisa que
desejassem.
As
tão difamadas SS, tropas de elite do exército, agiam de ótimas maneiras e
eram profissionais em seu ofício. Como elas não havia igual. Às SS só
incorporavam os homens mais inteligentes e preparados.
Abaixo
segue algumas transcrições da autobiografia de Otto Skorzeny, o capitão que
resgatou Mussolini, que corroboram com as alegações ora apresentadas:
"Ainda
recordo perfeitamente a conversa que mantive com uma mulher sentada na estrada
ao lado do seu carro. À sombra do veículo dormiam seus quatro filhos. Procedia
de Lille e durante quatro dias vagava pelas estradas. Sua cidade tinha sido
invadida por uma súbita febre de fuga quando os habitantes souberam que a
guerra se aproximava deles a passos largos, e por isso fugiram. Em pouco tempo,
ela encontrou todas as estradas fechadas pelas tropas francesas e não pôde
continuar avançando. Viu-se orbigada a ficar vários dias nos bosques ou em
pleno descampado, ao relento. A guerra não respeitara sua retirada; mas ela
conseguiu chegar, felizmente, até ali. Esgotara sua gasolina. A primeira
pergunta que me fez foi em tom vacilante:
-
Ou doit aller moi? Est-ce que vous voulez me donner d´essence? Savez-vous,
monsieur, notre route?, la meilleure direction?
A
mim só cabia dar-lhe o acertado conselho de que regressasse à sua casa, o
quanto antes. Tudo o que pude fazer por ela foi dar-lhe um pedaço de pão e uma
lata de conserva". (pg. 94/95)
"(...)
Quando uma tarde regressei ao acampamento tive que enfrentar a ira do novo
comandante, porque meu motorista acabava de tirar a túnica e estava sentado ao
volante com o tronco nu. Vira-nos no exato momento em que nos dirigíamos à
oficina e nos chamou. Recebi a maior 'espinafação' de minha vida.
O
Capitão Werner considerava uma afronta que soldado do Reich mostrasse o seu
tronco desnudo. Depois de uma série de 'amabilidades' que pareciam alfinetadas,
a longa ladainha terminou com a seguinte frase:
-
Um soldado alemãonão é digno de ser considerado como tal se não estiver
abotoado até o último botão de sua túnica. Você é reponsável por atentar
contra a dignidade do Exército alemão num país estrangeiro que, além de
tudo, está em guerra contra nós. O seu comportamento parece dar a entender que
você deseja pretigiar-nos". (pg. 96)
Na
comemoração de sua data de aniversário:
"(...)
Não foi difícil encontrar uma hospedaria, cuja proprietária se prontificou a
fazer-nos um jantar. Ficamos sabendo que na adega havia uma boa quantidade de
bebidas. A champanha era para nós, membros do Exército de ocupação, muito
barata; uma garrafa custava, então, dez francos, ou seja, cinqüenta pfennig.
(...)
Pouco depois, informei-me da procedência das duas jovens, e fiquei sabendo que
a morena era casada com um francês, oficial de Artilharia, e que desconhecia o
paradeiro de seu marido. Mas... não nos encarava como inimigos!" (pg. 97)
"Passamos
por Rouvray e, em Troyes, alcançamos o Sena. (...) A população não nos
recebeu com animosidade. Coisa estranha! Continuamos nossa marcha
vertiginosamente.
Mas
como parecia que a nossa marcha não pudesse estar desprovida de aventuras, em
Bordeaux tive que intervir numa caçada de tigre.
(...)
De repente, defrontei-me com uma multidão, ao gritos, que vinha ao meu
encontro. Várias pessoas subiram nos estribos da minha viatura.
(...)
Ao mesmo tempo indicavam uma rua. (...) Foi então que vi o motivo de tanto
alarde: um tigre próximo a uma esquina!
(...)
Fixei a pontaria entre as omoplatas da fera, como se fosse um cervo. Meu amor próprio
de caçador proibia de atirar no tigre que estava deitado tranqüilamente. Mas,
apesar de tudo, disparei duas vezes.
(...)
Não havia dúvida de que o animal não era perigoso e me envergonhei de tê-lo
matado. Tinha certeza que meus companheiros iriam rir se lhes contasse este episódio".
(pgs. 98/99)
"Continuamos
a marcha. Passamos por Tours, Chartres, Melun, Soisson e Laon e prosseguimos até
Maubeuge, onde cruzamos a fronteira belga, na sua parte norte.
Fui
obrigado a fazer muitos altos em conseqüência das freqüentes avarias. Pude
notar que todas as oficinas e fábricas voltavam a trabalhar; isto causava um
efeito magnífico sobre os operários. Não vi um só rosto que expressasse ódio,
embora alguns operários dessem uma impressão de certa indiferença". (pg.
102)
"Eu
conhecia a Holanda por tê-la visitado anteriormente. Fiquei contente ao voltar
a a ver suas belas casas e seus enfeitadíssimos habitantes. Parecia que a
guerra não existia; ou o povo a esquecera?
Podia
comprar barato coisas que há muito tempo não mais existia na Alemanha."
(pg. 102)
"Aproveitei
a ocasião para fazer uma visita a uma família conhecida, a qual não via desde
1920. (...)
Não
me surpreendi ao saber que meu anfitrião considerava natural o fato de o
nacional-socialismo estar se infiltrando na Holanda, e que tivesse muitos
simpatizantes." (pgs. 102/103)
"Vários
companheiros convidaram-me para uma festa de aniversário, a ser realizada num
restaurante. A festa foi calma e agradável, alcançando o momento culminante à
meia-noite. Naquele instante nossos olhos pousaram numa fotografia pendurada na
parede. Era uma foto do Príncipe Bernardo, que fora oficial das SS, vestindo
agora um uniforma do exército holandês. Causou-nos espécie que os chefes alemães
permitissem que a foto continuasse onde estava. Pergunatmo-nos se deveríamos
aceitar tal fato como símbolo da força da Alemanha ou de sua debilidade.
Decidimos não emitir qualquer opinião; mas não pudemos lutar contra os nossos
sentimentos.
Por
isso, chamamos o garçom e ordenamos que tirasse a fotografia da parede.
Respondeu que não podia cumprir a ordem e se apressou a chamar o proprietário,
que também se negou a obedecer-nos.
Um
dos companheiros teve a idéia de colocá-lo ante uma alternativa, e lhe disse:
-
Se não tirar a fotografia dentro de 5 minutos, tira-la-emos a tiros!
Acredito
que nenhum de nós pensou em cumprir tal ameaça.
Quando
transcorreram os 5 minutos e constatamos que o local estava vazio, sacamos
nossas pistolas e crivamos de balas a fotografia.
Como
é de supor, este ato não passou inadvertido e teve conseqüências. O
comandante do Regimento, na manhã seguinte, foi informado do nosso
comportamento. Recebemos ordem para que nos apresentássemos a ele; fomos
tratados como proscritos e punidos com cinco dias de prisão. Informaram-se
ainda que eu não seria promovido no dia 9 de novembro, conforme estava
previsto." (pgs. 109/110)
"Durante
o tempo que durou a campanha da França, no verão de 1940, fomos obrigados a
cumprir as severas ordens com as quais nos 'distinguiam'.
Qualquer
excesso era castigado severamente; não nos era permitida a mais insignificante
fraqueza.
Quando
ocupamos a cidade de Biarritz, o comando militar alemão permitiu que um bordel
francês contuinuasse funcionando. Entre as prostitutas daquela casa de prazer
havia duas mulatas que exerciam as suas funções extamente igual às demais. E,
quando se soube que dois jovens das SS tinham preferido os 'serviços' das duas
mulatas, foram levados ante um Tribunal de Guerra que os condenou a severas
penas.
Outro
caso aconteceu durante as festas natalinas, nas imediações da cidade de
Vesoul. Um cidadão francês se apresentou em nosso Comando afirmando que um
soldado tentara violentar a sua esposa, acrescentando que somente a sua presença,
inesperada, impedira a consumação do fato. Até agora, ignoro se a denúncia
era verdadeira, pois a mulher não apresentava qualquer sinal de violência.
Mas, apesar disso, o soldado teve que comparecer ante um Tribunal de Guerra, que
o julgou culpado e o condenou à morte, sendo fuzilado.
A
dura disciplina que nos impunham era uma demonstração palpável de que nos
consideravam a elite do exército alemão e, portanto, exigiam-nos mais do que
aos outros e nos obrigavam a comportar-nos de maneira irrepreensível em todos
os momentos.
Para
a população ocupada, as sentenças eram um sinal de que o Comando não
tolerava abuso algum contra ela." (pgs. 114/115)
"Aproximávamo-nos
das localidades adotando toda sorte de precauções; quando entrávamos nelas,
desembarcávamos e avançávamos a pé. Pudemos constatar que todas as nossas
suspeitas eram infundadas, já que não tivemos necessidade de enfrentar
qualquer imprevisto. Quando entramos na terceira localidade, que nos pareceu a
maior e mais importante de todas, fomos recebidos por seus habitantes, que nos
saudaram com grande amabilidade. Era estranho! Mas rapidamente percebemos que
estávamos diante da comunidade alemã de Karlsdorf. (...) Nunca presenciara uma
alegria semelhante à que mostravam aquelas pessoas; nunca me sentiria tão bem
recebido como naqueles momentos. Nossos entusiasmados amigos não queriam que
partíssemos. Mas não podíamos deixar de cumprir a missão que recebêramos.
Antes que partíssemos, advertiram-nos que os habitantes das duas localidades
que vinham a seguir eram sérvios.
(...)
A seguir, percebi que o ambiente da cidade mudara sensivelmente no curto espaço
das duas horas transcorridas entre nossa chegada e regresso. As ruas estavam
cheias de gente, como se todos os habitantes tivessem saído das casas. Ao
desembocarmos na Praça do Mercado vimos que a rua principal estava coberta de
folhagens recém-cortadas. Dir-se-ia que o povo se preparava para alguma festa.
Fizeram-nos parar diante da Câmara Municipal e um Professor da localidade
pronunciou um discurso de boas-vindas. Notei o tremor de sua voz e a grande emoção
que o embargava. Balbuciava e só por meio de um esforço sobre-humano conseguiu
conter as lágrimas.
Estávamos
completamente atônitos, não compreendíamos o que estava ocorrendo! Não esperávamos
semelhante recepção!
Até
os prisioneiros ficaram contagiados pela emoção geral; não sabiam o que fazer
nem como reagir.
Aquilo
me fez pensar: "Recebem-nos como semideuses. Mas não somos mais que
simples homens, simples soldados que acabam de cumprir o dever!"
Inesperadamente
me vi frente ao Prefeito, que estava vestido com um fraque. Apressei-me em
saltar da viatura e pensei que devia dar-lhe a mão e cumprimentá-lo
corretamente. Mas uma coisa é pensar e outra é agir. Uma verdadeira nuvem de
pessoas me rodeou; todos se lançavam para estreitar-me a mão, faziam todo o
possível para chegar até a mim. Não sabia o que fazer nem como agir.
Faltavam-me braços, mãos, dedos... Tive que estreitar inúmeras mãos, segurar
uma grande quantidade de flores recém-cortadas nos campos. O Prefeito
pigarreou, fez um grande esforço e, finalmente, conseguiu falar.
Tratou-nos
como seus concidadãos e expressou o desejo de ver-nos em sua cidade num futuro
próximo. Disse que os habitantes estavam dispostos a lutar pela Alemanha e
terminou o discurso convidando-nos, em nome do povo, a comer, dizendo que todas
as casas tinham as mesas preparadas para hospedar meus soldados.
Fui
obrigado a responder que não podia aceitar os múltiplos convites,
acrescentando não poder dispersar os homens por toda Karlsdorf. Mas ao ver sua
expressão consternada, acrescentei:
-
Mas podemos comer todos juntos. Não posso negar que estamos com fome...
Lembrei-me,
por outro lado, que tinha um grupo de prisioneiros sérvios. Decidimos alojá-los
num velho edifício.
Dirigi-me,
com meus homens, à casa do Professor levando comigo os cinco oficiais, que
foram trancados num quarto. Em seguida, o povo em massa trouxe o que tinha
preparado para nós. Mal havia espaço nas improvisadas mesas para a imensa
quantidade de travessas e pratos cheios de iguarias que foram amontoados um em
cima do outro formando pilhas de 3 a 4 pratos.
Não
exagero quando digo que comemos durante três horas seguidas. Não nos
concederam um só minuto de repouso. Obrigaram-nos a saborear todos os pratos e
provar todos os vinhos. Nossas bochechas, estufadas pela comida, não permitiam
que respondêssemos à avalancha de perguntas que nos faziam. (...) Quando,
finalmente, pude dizer que já tínhamos comido bastante, mal tinha forças para
falar.
Notei
que aquele grupo de alemães, que vivia no estrangeiro há anos, tinha
idealizado a nova Alemanha. Sentiam verdadeiras ânsias por saber todos os
detalhes, por sentirem-se como uma parte de sua longínqua pátria. Procurei
satisfazer a seus desejos e expliquei-lhes tudo o que havia de bom e
maravilhoso. Ouviram-me boquiabertos, com a respiração presa, sem
interromper-me um só momento. Deu-se até o caso de uma moça paralítica que
expressara o desejo de ver e ouvir os irmãos de sua grande pátria; foi levada
com cama e tudo ao local onde estávamos.
Não
foi fpacil despedirmo-nos daquela amabilíssima gente, mas o "dever é o
dever e a bebida é a bebida", segundo diz um velho provérbio. Por isso
fomos obrigados a nos despedir, prometendo que regressaríamos algum dia. Sabíamos
e sentíamos que sempre seríamos bem recebidos.
Não
pudemos impedir que enchessem três imensas caixas com a comida que sobrou, nem
que nos obrigassem a levá-las. (...) Os oficiais sérvios sentiram-se
aliviados, já que puderam participar da festa e olhavam com mais otimismo os
futuros anos de cativeiro. O resto dos prisioneiros, entretanto, deixei na
localidade, dizendo que mandaria recolhê-los no dia seguinte.
Chegou
o momento da despdida final. Outra vez tivemos que estreitar inúmeras mãos.
Tive a impressão de que me despedia de velhos amigos, de antigos camaradas de
outros tempos. As crianças voltaram a oferecer-nos flores e entoaram a antiga
canção alemã:
Muss
i denn, muss i denn zum städtle hinaus...
O
sol se escondia no horizonte, como um imenso disco vermelho, quando nos dirigíamos
para o oeste.
Nossas explicações sobre a extraordinária forma como tínhamos sido recebidos, os prisioneiros e as três caixas repletas de iguarias encheram de júbilo os homens do Regimento". (pgs. 123 a 127)
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