EUA entram na Guerra

 

Um ataque tão certeiro como destruidor, planejado e executado por um dos mais competentes militares da história do Japão, o almirante Isoroku Yamamoto, determinou uma virada na história da Segunda Guerra Mundial. Na manhã do dia 7 de dezembro de 1941 a marinha japonesa atacou a base americana de Pearl Harbor, no Havaí. No mesmo dia -- mas só depois de consumada a agressão -- o Japão declarava guerra aos Estados Unidos, ao Canadá, à Austria e à Grã-Bretanha. Nesse momento houve a globalização do conflito, que até então se desenrolava basicamente na Europa. Um dia depois do ataque os Estados Unidos declararam guerra ao Japão, atitude imediatamente seguida pela Grã-Bretanha, que cumpriu uma ameaça feita no início de agosto pelo primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, aos japoneses: apesar dos laços tradicionais de amizade entre os dois países, a Inglaterra declararia guerra ao Império caso começassem hostilidades contra os Estados Unidos. A declaração de guerra do governo americano se estenderia à Alemanha e à Itália no dia 11. 

 

A contrapartida nazi-fascista viria no mesmo dia. A entrada dos americanos no conflito expandiu o teatro de batalha ao mesmo tempo em que levou à adesão de outros países. No dia 15 de dezembro de 1941, uma semana depois do ataque a Pearl Harbor, 43 países já estavam diretamente envolvidos na guerra, dos quais 15 havia menos de oito dias: Albânia, Alemanha, Austrália, Bélgica, Bulgária, Canadá, Checoslováquia, China, Colômbia, Costa Rica, Croácia, Cuba, Dinamarca, República Dominicana, El Salvador, Eslováquia, Equador, Egito, Estados Unidos, Etiópia, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Guatemala, Haiti, Holanda, Honduras, Islândia, Itália, Iugoslávia, Japão, Luxemburgo, Nicarágua, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paraguai, Polônia, Romênia, União Sul-Africana (atual Africa do Sul) e União Soviética. 

 

A história da entrada dos Estados Unidos na guerra começou com o desconforto provocado pela gradual ocupação, pelo Japão, de territórios da Ásia, e pela liberdade de movimentação da marinha do Imperador Hirohito pelo Pacífico, que apontava uma tendência de crescimento territorial em direção ao Sul, até a Austrália, e ao Leste, até as ilhas do Pacífico. Em 1941, diante da iminência de uma expansão sem precedentes, o presidente dos Estados Unidos, Franflin Roosevelt, iniciou um processo de pressão política e econômica contra o Japão. Os bens japoneses na América foram congelados, o intercâmbio comercial assinado entre os dois países foi suspenso e finalmente, medida extrema, foi decretado o embargo de petróleo com o objetivo de enfraquecer a produção industrial japonesa. A guerra estava amadurecida quando o príncipe Fumimaro Konoye -- que chefiou três gabinetes no período que antecedeua guerra no Pacífico -- e Roosevelt se encontraram, na última tentativa de resolver a questão pela via diplomática, em agosto de 1941. 

 

Nos três meses seguintes uma exaustiva troca de documentos entre os governos dos dois países se encerrou com a exigência americana, em 26 de novembro, de retirada das tropas japonesas da China e Indochina. Foi o último lance diplomático. Onze dias depois Estados Unidos e Japão passaram a falar pela força das armas. Ao saber do ataque a Pearl Harbor, Churchill ligou imediatamente para Roosevelt. Lembrou os termos do documento que ficou conhecido como a Carta do Atlântico -- um protocolo de intenções assinado em 8 de agosto de 1941 a bordo do navio britânico Príncipe de Gales, fundeado na Baía de Argenta, em Terra Nova, Canadá -- e comemorou o ingresso de um novo integrante na força militar aliada. "Agora estamos no mesmo barco", disse Churchill a Roosevelt. No dia seguinte o Senado dos Estados Unidos aprovou a declaração de guerra por unanimidade. Na Câmara só houve um voto contra. Desde 1940 Churchill tentava arrastar os Estados Unidos para a guerra. Quando Alemanha, Itália e Japão anunciaram a formalização do Pacto Tripartite, em setembro, o premiê britânico voltou a insistir -- naquele momento a Inglaterra era sistematicamente fustigada pela investida dos bombardeiros nazistas.

 

Churchill tentou vender a Roosevelt a idéia de que a Tripartite era uma provocação, e defendeu que ele respondesse ao desafio com o envio de uma esquadra americana a Cingapura, no Oriente. Político hábil, às voltas com a campanha eleitoral que lhe garantiria à presidência, Roosevelt desconsiderou a proposta britânica. Durante o encontro que levou à assinatura da Carta do Atlâtico, porém, especialistas acreditam que o primeiro-ministro britânico arrancou, peela primeira vez, um comprometimento de Roosevelt, que teria lhe confidenciado a intenção de provocar um incidente que justificasse perante o Congresso a entrada do país na guerra -- um pedido nesse sentido, diante da dificuldade de costurar um acordo com os parlamentares, levaria alguns meses. 

 

A revelação de Roosevelt nunca chegou a ser confirmada, mas também jamais foi desmentida pelo premiê britânico. Historiadores apontam alguns indícios de que a Carta do Atlântico, que passou para a história como um documento de importância menor, que estabelecia apenas termos de uma cooperação americana já em andamento com os aliados, escondia cláusulas secretas. Um desses indícios seria a própria viagem de Churchill ao Canadá, considerada uma operação arriscada para um objetivo de segunda linha -- ao menos julgado o que foi divulgado oficialmente. Os especialistas acreditam que ali, a bordo do Prícipe de Gales, nas águas da costa Leste do Canadá, foi iniciada a discussão para a efetiva edesão dos Estados Unidos aos aliados na guerra.

 

 

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