França, 1940 - A vergonha
Uma análise resumida sobre os fatos e erros que
levaram à desastrosa queda da França em 1940.
A França - considerada por muitos a maior potência bélica
do ocidente durante a década de 30 - às vésperas da invasão alemã em 1940
era não mais do que uma mera sombra do que fora durante as sangrentas batalhas
de trincheiras da Primeira Guerra Mundial.
Grande parte da postura defensiva e estrategicamente incoerente adotada pelo L'armé
Française era provocada pela Linha Maginot, não a existência das fortificações
em si, mas a mentalidade criada por elas, que preconizava a França como uma
fortaleza inexpugnável.
Outro fator preponderante era a atitude e o moral, tanto do soldado raso quanto
do generalato francês. Em uma comparação rápida, notamos que a média de
idade do soldado alemão era de 20 anos durante a ofensiva francesa, os soldados
franceses tinham em média 28 anos. Pode parecer um fator irrelevante sob
primeira análise, mas verdadeiramente não o é: o moral do soldado médio
francês era extremamente baixo! Grande parte devido a falta de ação durante
todo o intervalo entre a invasão da Polônia e a ofensiva ocidental (a chamda
Drôle du guerre), mas não só, diversos soldados franceses, especialmente em
regimentos de reserva, passavam dos 40 anos e tinham recordações muito vívidas
da 1ª Guerra Mundial e dos conceitos estabelecidos durante as carnificinas de
Sedan, Verdun e outras batalhas.
Os generais Weygand e Gamelin, líderes do exército francês durante a
ofensiva, eram soldados da chamada velha guarda, como eram todos dos seus
estados maiores e não conseguiam conceber a guerra de movimento e o uso
compacto da força blindada como ponta de lança de uma ofensiva como faziam os
seus antagonistas germânicos, que já haviam comprovado a eficiência da
Blitzkrieg durante as batalhas na Polônia, Dinamarca e Noruega.
Para a maioria dos generais franceses a guerra ainda era estática - baseada em
posições fixas, feita à base de ataques frontais precedidos de forte barragem
de artilharia e desprovida do fundamental apoio aéreo, tão bem empregado pela
Luftwaffe.
Mais um fator de nota na derrocada francesa pode ser atribuída a sua confusa
estrutura hierárquica e a privação completa de iniciativa aos oficiais
subalternos. O posicionamento dos QGs, a quilômetros das frentes de batalha
propiciava aos comandantes franceses uma falsa noção do andamento das batalhas
nos fronts, por vezes unidades consideradas "ativas" e
"engajadas" não passavam de amontoados de homens em fuga, sem o menor
poder combativo e sem nenhuma liderança, tomados pelo pânico.
Considerando que os blindados franceses eram claramente superiores aos seus
opositores alemães parece inconcebível que as tropas germânicas não pudessem
ser bloqueadas em um dos diversos rios que cortam as fronteiras belgas ou mesmo
as fronteiras da França. Contudo um posicionamento estratégico totalmente
equivocado alinhava os blindados como mero acessório de infantaria, dispersando
as suas formações entre diversos batalhões propiciando alvos fáceis para os
concentrados grupamentos Panzer, mais leves e menos blindados, porém mais
velozes.
Esta grande diversidade de fatores expostos e mais uma infinidade de miríades -
por exemplo, em diversas localidades os civis impediam as autoridades militares
de explodirem suas "preciosas pontes" a fim de atrasar o avanço alemão
- propiciaram uma das mais vergonhosas derrotas militares de uma nação,
pintando em cores escarlates o desastre conhecido como a queda da França.
Fonte deste artigo: Site Grandes Guerras
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