Guerra Parada
Durante seis meses após a queda da Polônia, os exércitos da frente ocidental permaneceram praticamente imóveis. Os franceses, que durante a campanha da Polônia avançaram alguns quilômetros no território alemão, retrocederam para a Linha Maginot assim que a parte principal do exército alemão retornou da Polônia. A Linha Maginot era a verdadeira chave da estratégia terrestre dos Aliados durante esses meses. Ela tinha sido iniciada em 1929 e recebera seu nome por causa do Ministro da Guerra, André Maginot. A França havia perdido 1,5 milhões de vidas durante a Primeira Guerra Mundial, sendo que muitas foram vitimadas pela escola de pensamento militar da offensive à l’outrance.

Soldados ingleses divertem-se durante a inatividade
bélica que precedeu a Batalha da França.
Excetuando-se alguns meses de 1914 e de 1918, a guerra na frente ocidental havia sido uma questão de sistemas de trincheiras e de lentos métodos de assédio. As fortalezas da Linha Maginot possuíam todas as características que os generais de Verdun teriam desejado. Alojamentos subterrâneos, paióis de munição, cozinhas, hospitais, instalações telefônicas e geradores elétricos; Ferrovias em miniatura, guindastes para munição, sistemas de drenagem - Havia-se pensado em tudo. Mapas elaborados mostravam planos de fogo que cobriam cada metro quadrado do terreno existente diante da linha. Tudo isso havia custado cerca de 160 milhões de libras esterlinas. No entanto, por mais incrível que possa parecer, a Linha Maginot cobria apenas uma parte de fronteira francesa, da Suíça a Montmédy. É bem verdade que existiam também certas fortificações ao longo do restante da fronteira até o mar, mas elas não podiam ser comparadas com a Linha Maginot propriamente dita. Era como se Schlieffen nunca tivesse acontecido.
Contra um inimigo que violentara a neutralidade belga em 1.914, os franceses haviam erguido suas defesas sérias somente na parte da fronteira que realmente os separava da Alemanha. A Linha Maginot exigia uma guarnição de cerca de 300.000 homens, mas, como os franceses eram capazes de colocar 2.776.000 soldados em campo, isso não era necessariamente uma desvantagem. Apesar de suas novas táticas de BlitzKrieg, os alemães também fizeram uso de fortificações : a Linha Siegfried (Vitória Tranqüila). Um contigente de trabalho, formado por 500.000 operários, sob a supervisão do Dr. Fritz Todt, havia construído três linhas de fortificações e de defesa antitanques. Esse esforço cumpriu sua missão, permitindo que Hitler mantivesse a frente ocidental com apenas 23 das suas 75 divisões, enquanto se concentrava na Polônia. O General von Mellenthin, que viu a Linha Siegfried não ficou impressionado. "A Linha Siegfried foi construída com tanta pressa que muitas de suas posições estavam situadas em encostas ascendentes. Os obstáculos eram insignificantes e quanto mais eu examinava as defesas, tanto menos conseguia compreender a atitude completamente passiva dos franceses". Realmente, era uma atitude difícil de ser compreendida por um general do exército de Hitler, pois o Führer era principalmente um líder, e era justamente essa sua qualidade de liderança que faltava aos estadistas e políticos aliados. Eles estavam envolvidos numa guerra que não desejavam e não sabiam como agir para vencê-la. Os franceses eram os principais responsáveis pela frente ocidental, mas seria fácil demais jogar toda a culpa nos fracos governos de Daladier e Reynaud.
A contribuição inglesa foi insignificante. Um país de 45 milhões de habitantes conseguiu reunir apenas dez divisões de infantaria para colocar em campo ao lado de suas aliados franceses. Os 33 milhões de poloneses conseguiram reunir trinta divisões. E Chamberlain não era capaz de prever o futuro de uma maneira melhor do que os seus aliados. Montgomery relatou uma visita do Primeiro-Ministro à sua divisão no dia 16 de dezembro de 1.939. "Depois do almoço, ele me chamou de lado e disse em tom mais baixo para não ser ouvido pelos demais : ‘Eu não acredito que os alemães tenham a intenção de nos atacar, você não acha ?’". Apesar do triunfo obtido na Polônia, o alto comando alemão abordou os problemas da frente ocidental sem entusiasmo e sem originalidade. Mas Hitler os incitou. A primeira inspiração deles foi a de reviver o Plano Schlieffen de 1.914. O General von Manstein, com os conselhos técnicos de um especialista em tanques, Guderian, e a aprovação do seu superior, Coronel-General von Rundstedt, elaborou um plano muito mais mortal, que "envolvia um intenso avanço de tanques pelo sul da Bélgica e por Luxemburgo em direção a Sedan, um rompimento do prolongamento da Linha Maginot nessa região e uma conseqüente divisão da frente francesa em duas partes".
Esse memorando não foi bem recebido. O alto comando queria usar apenas uma ou duas de suas nove divisões blindadas para esse ataque e, como conseqüência dos atritos seguintes, Manstein, o "melhor cérebro operacional" dos alemães, foi transferido para o comando de uma unidade de infantaria. Mas, por um golpe de sorte, o Plano Schlieffen ficou irremediavelmente comprometido quando um correio da Luftwaffe que, contrariando ordens recebidas, estava voando à noite com documentos referentes a esse plano foi obrigado a pousar na Bélgica. Hitler ouviu as opiniões de Manstein quando este se apresentou a ele para assumir o comando de sua unidade. O resultado foi que o Plano Manstein foi testado em manobras de guerra em fevereiro de 1940. Halder, o chefe da equipe geral do exército, esteve presente em ambas as ocasiões. Guderian recorda que nem ele e nem mesmo Rundstedt "tínhamos uma idéia muito clara a respeito da potencialidade dos tanques". A idéia de introduzir uma cunha profunda e larga na frente francesa, de maneira a não ter de se preocupar com os flancos, não era suficientemente atraente para eles.
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