IWO JIMA   e   OKINAWA 

Finalmente, surgiu a ocasião para um ataque contra o próprio Japão. Iwo Jima, com 7 quilômetros de comprimento e 4 de largura, é a principal ilha do arquipélago Volcano e encontra-se a meio caminho entre Saipan, nas ilhas Marianas, e Tóquio. Excluindo-se sua guarnição militar, ela era totalmente desabitada. Os americanos a queriam para pousos de emergência dos seus B-29, estacionados nas ilhas Marianas, que começaram a bombardear o Japão a partir de 24 de novembro de 1944. Os americanos haviam dado tempo suficiente aos japoneses para que estes transformassem a ilha numa fortaleza; uma ilha que, se tivesse sido ocupada imediatamente após as Marianas, não teria oferecido resistência digna de nota. Iwo Jima recebeu uma descarga de 6 800 toneladas de bombas e 22 000 disparos de morteiros (de calibres variando entre 5 e 16 polegadas) entre da invasão final. Mas os defensores, habilmente instalados em túneis construídos nas encostas do extinto vulcão, o monte Suribachi, estavam imunes a tudo isso. 

O Dia D foi 19 de fevereiro de 1945. O desembarque ocorreu com muita precisão, mas assim que os soldados pisaram em terra firme, as coisas mudaram de figura. Os veículos anfíbios encontraram dificuldades para se locomover num terreno formados por cinzas e detritos vulcânicos, e os terraços do monte Suribachi eram praticamente intransponíveis. Os japoneses deram início a um tremendo volume de fogo de morteiros instalados nas bocas de túneis habilmente construídos. Dos 30 000 fuzileiros navais desembarcados nesse dia, 2 400 foram atingidos. A cabeça-de-praia era bem menor do que a planejada, mas não houve um contra-ataque. O General Kuribayashi preferia poupar suas forças. Iwo Jima foi mais uma ilha que os fuzileiros navais americanos tiveram de conquistar metro por metro, combatendo em encostas ascendentes contra um inimigo bem entrincheirado. 

Okinawa, com 107 quilômetros de comprimento e uma largura que varia entre 4,8 e 32 quilômetros, era defendida pelo Tenente-General Mitsuru Ushijima, que comandava cerca de 90 000 soldados. O 10 Exército, comandado pelo Tenente-General Simon Bolívar Bruckner, com pouco menos de 300 000 homens, foi incumbido de tomar essa ilha. Nessa época, ataques muito intensos de aviões B-29 estavam sendo desferidos contra as cidades japonesas. Esses ataques "abalaram a nação nos seus próprios alicerces". As investidas a partir de porta-aviões rápidos (18-21 de março) não alcançaram o êxito esperado, pois o Wasp, o Yorktown e o Franklin foram seriamente danificados por aviões camicases. 

Os desembarques em Okinawa tiveram início no dia 1 de abril de 1945, após cinco dias de bombardeios preliminares. Tudo correu bem nesse Domingo de Páscoa, e ao anoitecer as bases aéreas de Yontan e Kadena estavam nas mãos dos americanos. Os japoneses haviam se retirados da praia e 50 000 soldados puderam ser desembarcados. O General Ushijima não tinha intenções de atacar os invasores enquanto ainda estivessem sob a cobertura dos canhões navais. Assim, passou-se uma semana antes que fosse iniciada a verdadeira luta pela posse da ilha. Antes disso, porém, foi realizada uma séria tentativa para aliviar a situação da guarnição. Um ataque desferido pelo gigantesco Yamato, o cruzador leve YahagiI e mais oito destróieres foi seguido por um ataque de camicases. No dia 7 de abril, os grupos-tarefa de Mitscher encontraram a "força especial de ataque de superfície", comandado pelo Vice-Almirante Ito, que passava pelo estreito de Van Diemen. Das 12h32 às 14h17, a força foi atacada por uma série de bombardeios aéreos, reduzindo o convés do Yamato a destroços. Às 14h23, o navio afundou, levando consigo 2 488 tripulantes. O Yahagi e quatro destróieres também foram afundados. Os americanos perderam quinze aviões. O Japão só dispunha agora de um único couraçado, o Haruna. Com a frota totalmente destruída, o Japão dependia agora dos camicases, apesar de os bombardeios convencionais ainda continuarem sendo utilizados. O período entre 6 de abril e 22 de junho foi pavoroso devido aos ataques maciços, que receberam o belo nome de "kikussui", ou seja "crisântemo flutuante". Calcula-se que ocorreram mais de 3 000 ataques camicases durante essas semanas. Eles conseguiram afundar 21 navios e danificar 66. Houve 355 camicases durante o primeiro ataque kikussui, concentrado contra os destróieres Leutze e Newcomb. Este último foi atacado cinco vezes durante um curto período. O primeiro camicase atingiu sua chaminé posterior, o segundo caiu na água e o terceiro conseguiu atravessar o navio, explodindo e destruindo a sua casa de máquinas.

"Com intenções de acabar conosco definitivamente', escreveu seu capitão, o Comandante I. E. McMillan, 'um quarto avião aproximou-se do Newcomb pelo lado esquerdo e, apesar de estar sendo alvejado pelas nossas baterias dianteiras, conseguiu passar, chocando-se contra a chaminé dianteira, inundando toda a parte central do navio, onde já havia uma enorme confusão, com um novo fornecimento de gasolina'. As labaredas se erguiam a dezenas de metros de alturas, sendo seguidas por uma nuvem tão densa de fumaça que cobria completamente o destróier, de forma que marinheiros de couraçados próximos não podiam ver que ele tinha afundado".

Os porta-aviões ingleses da frota do Pacífico, comandada pelo Vice-Almirante sir Bernard Rawlings, e que estavam operando com os americanos desde 26 de março, apesar de sua capacidade de combustível não pode ser comparada à dos porta-aviões americanos, suportavam melhor os ataques dos camicases. Já no dia 8 de abril, 82 Marine Corsairs estavam operando a partir das bases aéreas recentemente conquistadas de Yontan e Kadena, apesar de ambas ainda estarem expostas ao fogo inimigo. Pouco depois, aviões com base em terra, puderam engrossar as fileiras das patrulhas aéreas de combate (baseadas em porta-aviões) e diminuir um pouco o trabalho dos destróieres com seus radares. No dia 19 de abril, os americanos, com quatro quintos da ilha em suas mãos, haviam desembarcado 160.000 homens. Eles estavam enfrentando a posição fortificada japonesa do outro lado da parte mais estreita (4,8 quilômetros) da ilha. As defesas, estavam entre as mais resistentes que os americanos haviam encontrado desde Guadalcanal. No dia 18 de junho, quando o tenente-General Bruckner foi morto por um morteiro, enquanto observava um dos últimos ataques da campanha, seu trabalho já estava quase encerrado. No dia 20 de junho, a população civil começou a se render em massa, e no dia seguinte o Major-General Geiger pôde informar que a resistência organizada deixara de existir. Ao amanhecer do dia 22 de junho, quando as granadas americanas já estavam explodindo nas proximidades, o Tenente-General Ushijima, em uniforme completo, acompanhado pelo seu chefe de estado-maior, Tenente-General Cho, que usava um quimono branco, saiu da caverna onde estava instalado seu quartel-general; sentaram-se numa manta coberta com um pano branco, inclinaram a cabeça em direção a leste, e, com a assistência de um ajudante-de-ordens, cometeram haraquiri. Como ficou comprovado posteriormente, a Força Aérea Estratégica do exército, comandada pelo General Carl Spaatz, iria desferir o golpe mortal contra o Japão. Ele dispunha da 8ª Força Aérea (Tenente-General J. H. Doolittle) em Okinawa e da 20ª Força Aérea (Tenente-General N. F. Twining) nas ilhas Marianas. Com surpreendente rapidez, os americanos construíram 23 bases aéreas em Okinawa e, no final da guerra, dezoito grupos de bombardeiros pesados e médios estavam operando a partir desta base. Entretanto, Okinawa foi muito mais do que uma simples base aérea. O almirante Nimitz resumiu seu valor estratégico da seguinte maneira:

"O estabelecimento das nossas forças em Okinawa praticamente cortou o acesso para todas as posições japonesas localizadas no sul, pelo menos no que diz respeito às comunicações por mar. Isso fez com que a situação japonesa na China, na Birmânia e nas Índias Orientais Holandesas se tornasse insustentável e forçou retiradas que estão sendo atualmente exploradas pelas nossa forças na China".

A 4ª Divisão de Fuzileiros Navais sobre a praia de Iwo Jima, no dia 19 de Fevereiro de 1945. Este foi o quarto ataque de que essa divisão participou no decorrer de apenas dezoito meses

Que o Japão estivesse derrotado era evidente. Mas será que o país se renderia sem uma invasão que poderia custar mais 50 000 vidas americanas? O Presidente Roosevelt não viveu para ver essa vitória. Durante o auge dos combates por Okinawa, ele morreu repentinamente. Seu sucessor, o desconhecido Harry S. Truman, teve logo no início do seu governo uma oportunidade de mostrar ao mundo o acerto de suas decisões.

Rendição do japoneses em Okinawa

 

Material condensado da Obra "A Segunda Guerra Mundial" - Circulo do Livro -1980

 

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