O 16º Regimento em Omaha

O 16º Regimento de Infantaria da 1 Divisão (Big Red One) era a única unidade de assalto no Dia D com experiência de combate. Não serviu de muita ajuda. Nada que o 16º realizara na África do Norte e na Sicília se comparava com o que tiveram de enfrentar em Easy Red, Fox Green, e Fox Red no dia 6 de Junho de 1944.

Á semelhança do 116º, o 16º desembarcou num estado de confusão, fora do seu setor, extremamente misturado (com exceção da Companhia L, a única das oito companhias de assalto que podia ser considerada uma unidade quando atingiu a praia), sob intenso fogo de metralhadoras, fuzis, morteiros e artilharia em ambos os flancos e na frente. Os planos não deram em nada, as trilhas através dos obstáculos não foram desobstruídas, muitos oficiais - os primeiros homens fora dos barcos- foram feridos ou mortos antes que pudessem dar um só passo na praia.

O apoio dos canhões navais foi suspenso quando os barcos Higgins começaram a se aproximar da praia e só recomeçaria quando a fumaça e a neblina revelassem os alvos definitivos, ou quando os controladores de tiro da Marinha na costa retransmitissem coordenadas especificas (poucos desses oficiais conseguiram fazê-lo e aqueles que o fizeram não tinham rádios funcionando). A maior parte dos carros de combate flutuante foi ao fundo do Canal; os poucos que conseguiram passar estavam inutilizados.

Em conseqüência, os defensores alemães puderam atirar em alvos predeterminados por detrás de suas fortificações sem serem impedidos por fogo dos atacantes. A infantaria americana abriu caminho ate a praia sem qualquer tipo de apoio. As baixas foram muito pesadas, especialmente na água e nos mais ou menos 200 metros de praia sem abrigos. Como aconteceu com o 116º à direita, para a primeira e para a segunda leva do 16º Regimento no Dia D, foi mais a repetição de uma carga de infantaria através da terra de ninguém no Somme, na Primeira Guerra Mundial, do que uma típica ação da Segunda Guerra Mundial.

“Nossa expectativa de vida era quase zero”, declarou o praça John MacPhee. “Nos estávamos sobrecarregados com excesso de peso. Não passávamos de mulas de carga. Era muito jovem, em excelente forma. Podia caminhar durante milhas, suportar um bocado de contratempos, mas estava tão enjoado que pensava que ia morrer. De fato, quem me dera tê-lo feito. Eu estava totalmente exausto”.

Saltando da rampa para a água na altura do peito, MacPhee mal pode chegar a praia. “Eu cai, e para o que parecia uma eternidade ali fiquei”. Ele foi atingido tres vezes, uma vez na parte inferior das costas, duas vezes na perna esquerda. Seu braço estava paralisado. “Isso foi a conta. Perdi todo o medo e sabia que estava para morrer. Fiz as pazes com o meu Criador e fiquei esperando.”

MacPhee teve sorte. Dois de seus companheiros o arrastaram para o abrigo da muralha marítima; por fim ele foi evacuado e disseram-lhe que tinha um ferimento de um milhão de dólares. Para ele a guerra estava acabada.

Quando a rampa do seu barco Higgins desceu, o sargento Calyton Hanks teve uma lembrança. Aos cinco anos ele vira uma fotografia da Primeira Guerra Mundial num jornal de Boston. Ele dissera a sua mãe: “Gostaria de, algum dia, ser um soldado”
“Nunca mais diga isso novamente” replicou a mãe.

Ele não o fez, mas aos dezessete anos alistou-se no Exercito. Ele tinha dez anos de serviço quando a rampa desceu e ele recordou as palavras da mãe. “Entrei como voluntário”, lembrou para si mesmo. “Eu pedi isto ou o quer que esteja por vir” Ele saltou na água e lutou pra ir adiante.

O Praça Warren entrou com a segunda leva. Soldados mortos flutuavam na água, que já havia coberto os primeiros obstáculos. Ele se escondeu por trás de um trilho de ferro com água pela cintura. Seu comandante de pelotão, um tenente de dezenove anos, estava atrás de outro trilho.

O tenente gritou “Ei, Rulien, aqui vou eu”! e tentou correr para a praia. Uma metralhadora o abateu. Rulien agarrou um dos corpos que flutuavam na água e empurrou-o na sua frente enquanto abrir caminho para a praia.

“Eu tinha andado apenas uma pequena distancia quando três ou quatro soldados começaram a alinhar-se atrás de mim. Gritei:”não se aglomerem!’ e me desloquei, deixando-os com o corpo. Abaixei-me o Maximo que pude na água ate alcançar um banco de areia e cruzá-lo de barriga”No outro lado do banco de areia a água estava a altura do seu peito. Ele foi adiante. Na praia, havia oficiais sentados, parecendo atônitos. Ninguém estava assumindo o comando.” Ele se juntou a outros sobreviventes na muralha marítima.

O patrão no barco do praça Charles Thomas foi morto por tiros de metralhadora quando estava tentando se aproximar com a sua embarcação. Um membro da tripulação assumiu o posto. O comandante do pelotão tivera seu bravo esfacelado tentando abrir a rampa. Finalmente a rampa caiu e a equipe de assalto pulou na arrebentação. Thomas tinha um torpedo Bangalore para carregar, por isso era o ultimo homem na equipe.

“Quando estava descendo, parei para pegar uma granada fumigena, como se não tivesse o bastante para carregar. O sujeito que dirigia o barco gritou-me que descesse. Ele estava com pressa, mas eu me voltei e lhe disse que não estava com pressa alguma”.

Thomas saltou com a água pelo peito. “meu capacete caiu sobre o pescoço e a correia estava me sufocando. A bondoleira do meu rifle estava se arrastando sob a água e eu não podia ficar de pé”. Ele inflou seu Mae West finalmente consegui chegar à praia. “Lá me arrastei sobre mortos e feridos, mas eu não podia dizer quem era quem, e tínhamos ordem de não parar para ninguém na beira da praia, seguir em frente ou eramos atingidos.”

Quando chegamos à muralha marítima, “ela estava apinhada de soldados todos feridos ou mortos. Pus-me de lado e abri minha braguilha, eu tinha de urinar. Não sei porque fiz isso, pois afinal estava todo encharcado e sob fogo, e suponho que estava apenas sendo asseado”.
Thomas se esforçava p[ara ir para a esquerda, onde “dei com um punhado de meus companheiros da companhia. A maioria deles não tinha sequer um fuzil. Alguns me filaram cigarros porque eu possua três pacotes enrolados em papel encerado”. Thomas estava na base do penhasco (logo abaixo do cemitério americano hoje). Na sua opinião: “Os alemães podiam nos ter varrido com vassouras se soubessem quão poucos éramos e em que condições estávamos”

Fonte: O Dia D: 6 de Junho de 1944. Stephen E. Ambrose

 

_________________________________________________________________

Ir para: Textos

Ir para: 2ª Guerra Mundial - Principal