Paul
Tibbets e o Enola Gay
Biografia
do piloto de B-29 que foi o primeiro a usar uma arma nuclear na história.
Paul Tibbets nasceu em 23 de fevereiro de 1915, filho de Enola Gay e Paul Warfield Tibbets em Quincy, Illinois. Atraídos pelo crescimento imobiliário, a família Tibbets mudou-se para a Flórida quando Paul tinha nove anos. Em um memorável dia de verão, um piloto de demonstração, Doug Davis, deixou que Paul, então com doze anos, voasse em seu avião Waco 9 e jogasse chocolates Baby Ruth para as multidões na pista de corridas de Hialeah e Miami Beach. Tibbets sempre considerou aquele dia como a origem de seu interesse pela aviação. No ano seguinte, 1928, entrou na Academia Militar Western (WMA), onde Butch O´Hare estava matriculado ao mesmo tempo. Ali, aprendeu muitos dos rituais da vida militar, tais como trotes e inspeções de alojamentos, nas quais os inspetores provavelmente passariam luvas brancas pela sola de seus sapatos e dariam deméritos por terem “chãos sujos”.
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Paul Tibbets
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Matriculou-se
na Universidade da Flórida em Gainesville em 1933, mais ou menos de acordo com
os planos de sua família, de que seguira uma carreira na medicina. Com este
objetivo em mente, transferiu-se para a Universidade de Cincinnati depois de seu
primeiro ano, onde continuou a ter aulas e vôo. Depois de muita introspeção,
e uma difícil conversa com seu pai, decidiu que seu coração não estava na
medicina, mas sim na aviação.
Seguindo este sonho, alistou-se no Corpo Aéreo
do Exército, e se apresentou no campo Randolph em 1937. Dos seus anos no WMA
estava familiarizado com trotes, inspeções, e outras exigências da rotina
militar. Treinou em PT-3 e BT-9s, os aviões padrão de treinamento do momento.
Formou-se como o primeiro de sua turma e, ao contrário de muitos dos outros
pilotos de topo, não escolheu a Caça (Pursuit), mas ao invés, serviço de
observação em aparelhos de múltiplos motores, pois pensava que a observação
lhe daria mais independência. De 1938 até 1940, em Forte Benning, voou com aviões
de observação O-46 e O-47 e em bombardeiros B-10.
Ali encontrou George Patton, então um
tenente-coronel e destinado a se tornar um general de tanques renomeado
mundialmente na Segunda Guerra Mundial. Enquanto Tibbets era um humilde segundo
tenente, eles iam fazer tiro ao prato juntos. Patton era um competidor feroz e
“gritava em fúria” em relação aos poucos centavos que perdia competindo
contra Tibbets.
Tibbets aprendeu toda uma nova forma de voar
em 1941, quando começou a trabalhar com o novo bombardeiro de ataque do Exército,
o A-20. Enquanto os bombardeiros primitivos tinham que se refugiar na altitude,
o desenvolvimento do radar e a missão do A-20, forçaram seus pilotos a voar
rente ao chão, pouco acima de 30 metros do solo. Enquanto voava sobre os céus
da Geórgia, escutando uma estação de rádio comercial, ouviu as notícias do
ataque a Pearl Harbor. Entre as prioridades em rápida mudança no início de
1942, Tibbets (agora um capitão), se achou em um esquadrão de B-18´s,
destinado a serviço anti-submarino sobre o Atlântico. Logo se transferiu para
os quadrimotores B-17, Fortalezas voadoras, como comandante do 40º Esquadrão
do 97º Grupo de Bombardeiros (Pesados).
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Douglas A-20 Havoc
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No
verão de 1942 ele e o 97º voaram suas B-17 para a guerra na Europa: decolando
de Bangor, Maine, parando no Labrador, Groelândia e Islândia a caminho de sua
nova base em Polebrook. O 97º Grupo de Bombardeiros serviu como um modelo para
o famoso filme Almas em Chamas (Twelve O´Clock High); Tibbets, como um major
deixado como encarregado do Grupo, chegou a ser mostrado no filme. Armstrong, o
novo oficial comandante do 97º, nomeou Tibbets como seu segundo em comando.
A primeira missão foi marcada para 9 de
agosto, mas uma semana de chuva a atrasou e aumentou a já alta tensão entre as
tripulações de vôo.
Em 17 de agosto de 1942, ele voou o B-17
Butcher Shop no primeiro ataque de bombardeio diurno de um esquadrão americano
sobre a Europa ocupada pelos alemães. Naquela manhã, o General Spaatz e várias
autoridades britânicas, observaram a decolagem. Aproximadamente 18 Bombardeiros
participaravam da missão, a primeira das mais de 300.000 sortidas de bombardeio
que a 8ª Força Aérea faria. O Brigadeiro Ira Eaker, comandante do VIII
Comando de Bombardeiros, também seguiu naquela missão, no Yankee Doodle, e
recebeu o crédito oficial por tê-la “liderado”. Decolaram logo depois do
meio-dia, subiram a 7.000 metros, e dirigiram-se para Rouen e Buddicum,
fortemente escoltados por Spitfires da RAF. Três aviões levavam bombas de 500
kg, destinadas aos pátios ferroviários de Rouen; outros nove levavam bombas de
270 kg para as oficinas de consertos em Buddicum. Em distância, era uma missão
curta. Os bombardeiros atingiram as oficinas de consertos próximo a Rouen, e
todos voltaram em segurança.
Nos meses seguintes, voaram freqüentes missões
e continuaram a treinar de forma intensiva na Inglaterra, praticando a
artilharia sobre o Wash. Tibbets, lembrando-se de seus dias limpando os canhões
no WMA, insistia que suas tripulações desmontassem suas metralhadoras, as
limpassem cuidadosamente, e então esfregassem óleo lubrificante em todas as peças,
reduzindo assim o risco das armas congelassem ou travassem a 6.000 metros.
No final de 1942, enquanto os americanos
preparam para a Operação “Tocha”, a invasão da África do Norte, Tibbets
foi chamado para levar o General Mark Clark em uma missão secreta para
encontrar com o comandante Francês em Algers. Voando o Red Gremlin, levou o
General Mark Clark para Gibraltar, onde um submarino pegou o genenral e o levou
até a Argélia. A missão de Mark Clark foi bem sucedida; diversas unidades
francesas cooperaram com as forças de desembarque aliadas. Aparentemente as
autoridades ficaram impressionadas com as habilidades de Tibbets em transportar
oficiais de alta patente; em cinco de novembro, ele levou o General Eisenhower
da Inglaterra para Gibraltar. Com o avião repleto de oficiais de estado maior,
Ike sentou em um caibro instalado de forma apressada na carlinga, para que
pudesse ter uma vista de piloto do vôo, que decorreu tranqüilamente.
Depois dos aliados terem se estabelecido na Argélia, o grupo de B-17 de Tibbets foi estacionado inicialmente em Maison Blanche (fora de Algers), depois em Tafaraoui (“funda e gosmenta”), e então em Biskra. No início de 1943 foi transferido para a 12ª Força Aérea, sob o comando do General Jimmy Doolittle, onde lutaram com os desafios do B-26 Marauder, um bom avião, mas que era “uma mão-cheia” [exigente] para muitos pilotos. Foi durante este período que Tibbets cruzou o caminho (e espadas) pela primeira com Lauris Norstad, um oficial politiqueiro que, nos anos de pós-guerra, atrapalharia a carreira de Tibbets na Força-Aérea.
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General Jimmy
Doolittle, em 1942
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Em julho de 1943, se apresentou na “Boeing Wichita”, uma das quatro fábricas
empenhadas ao novo bombardeiro B-29. Originalmente desenhada em 1940, a B-29 era
um avião inovador: um sistema de controle de fogo permitia a um artilheiro
operar cinco pares de metralhadoras, uma portinhola de bombas pneumática, um
compartimento de tripulantes totalmente pressurisado (conectado entre si por um
tubo onde os tripulantes passavam se arrastando) e trem de pouso de três
pontos. Era maior, mais rápido, podia voar mais alto e mais longe, e carregava
uma carga de bombas maior do que a B-17. Em Grand Island, Nebraska, estabeleceu
uma escola para treinar instrutores de vôo de B-29, onde fez amizade com Frank
Armstrong, seu velho comandante em Polebrook. Entre outras coisas, descobriram
que remover algumas das metralhadoras pesadas e sua munição fazia uma grande
diferença na performance das Superfortalezas.
Em setembro de 1944, ele se apresentou em
Colorado Springs para uma missão top secret – organizar um grupo de
bombardeiros para soltar a bomba atômica. Seguindo-se a uma detalhada
entrevista pessoal, foi apresentado ao Genenral Uzal Ent e ao professor Norman
Ramsey, que explicaram-lhe o projeto. A força de Tibbets, o 509º Grupo Misto,
incluía 15 B-29s e 1.800 homens. O 509º estabeleceu em Wendover, Utah, como
sua base. Devido a localização remota, era ideal para segurança. Da sua velha
tripulação de B-17 na Europa, ele selecionou Tom Ferebee (bombardeador), o
sargento George Caron (artilheiro de ré), Dutch Van Kirk (navegador), e o
Sargento Wyatt Duzenberry (engenheiro de vôo). Estes homens foram designados
para o avião de Tibbets. Bob Lewis voava como co-piloto. Como Tibbets podia
requisitar qualquer homem e qualquer avião que precisasse, o 509º logo estava
completo, e toda a organização da unidade estava terminada em dezembro de
1944.
O principal desafio seria largar a bomba atômica,
sem que a onda de choque destruísse a B-29. Os cientistas estimaram que a B-29
sobreviveria a onda de choque a uma distância de treze quilômetros. Voando a
9.500 metros, a B-29 já estaria a quase dez quilômetros no ar. Para ganhar a
distância extra, Tibbets, estabeleceu que uma volta rápida de 155 graus seria
a melhor manobra. Em menos de dois minutos, a B-29 faria meia-volta e voaria 8
quilômetros. Outra preocupação crítica era a pontaria; usando a mira Norden,
os bombardeiros teriam que colocar a bomba dentro de 60 metros do ponto de
mirada. Outro desafio era navegar sobre a água e terra; a transição poderia
ser desorientadora. Desta forma, Tibbets e seus homens treinaram navegação em
Cuba. O exercício de treinamento em Cuba deu-lhe a oportunidade de levar sua mãe,
Enola Gay Tibbets, em um avião de transporte C-54 para o visitar, sobrevivendo
e até divertindo-se em um vôo turbulento, que teve até fogo-de-Santelmo.
Em maio de 1945, Tibbets e o 509º grupo
tinham se deslocado para o Pacífico, para a Ilha de Tinian, nas Marianas. Como
ela tinha uma forma parecida com a ilha de Manhattan, os engenheiros do Exército
tinham batizado as instalações da base com nomes como Broadway, e Rua Quarenta
e Dois. O grupo de Tibbets bivacou no “Distrito da Universidade de
Columbia”. Tinian era ideal; sua pista de decolagem de 2.600 metros estava
entre as mais longas no mundo naquele momento. Tibbets deparou-se com vários
conflitos, sobre assuntos que iam de manutenção a treinamento, originários em
parte do segredo das operações. Ele voou para os Estados Unidos e de volta três
vezes entre maio e julho, mas perdeu o primeiro teste atômico em Alamo Gordo
porque teve que voltar a Tinian para convencer o General Curtiss LeMay a não
passar a missão atômica para outra unidade.
Na noite de 29 de julho, o submarino japonês
I-58 afundou o cruzador americano Indianápolis, matando quase 900 marinheiros
na explosão e suas terríveis conseqüências. Depois que os 300 homens que não
tinham sido mandados pelos ares, queimados, afogados ou devorados pelos tubarões
foram resgatados, tornou-se aparente que o desastre foi exacerbado pela a
marinha, que de forma incompetente, tinha perdido a noção de onde o Indianápolis
estava, o que retardou o salvamento.
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Submarino
Japonês I-58
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O
Capitão McVay foi rapidamente sujeito a uma corte marcial, por não ter seguido
manobras evasivas. Apesar dos marinheiros sob o seu comando insistirem que McVay
tinha servido apenas como um bode expiatório, McVay nunca foi capaz de limpar o
seu nome. Cometeu suicídio em 1968.
Mas, em 26 de julho o cruzador Indianápolis
tinha ancorado ao largo de Tinian e descarregado um caixote de quatro metros e
meio. Dentro estava a bomba atômica, completa, com a exceção da segunda massa
de urânio, que um B-29 entregou mais tarde. Tendo entregue sua carga sem
incidente, o Indianápolis seguiu em direção as Filipinas. Apesar dos relatórios
da inteligência assegurarem ao Capitão Charles McVay que a rota de Guam para
Leyte era segura, havia submarinos japoneses em atividade na área. Quatro dias
depois de partir de Tinian, o Indianápolis foi afundado por um submarino japonês.
No início de agosto de 1945, os planos para
a primeira missão atômica estavam prontos. Sete Superfortalezas Boeing
tomariam parte, incluindo a primária, uma reserva, uma como avião fotográfico,
um com instrumentos científicos para medir a explosão e três outros que
reconheceriam adiante. O bombardeio seria visual e não por radar. As possíveis
cidades-alvo incluiam Hiroshima, Kokura, Niigata e Nagasaki. Até este momento,
o avião pessoal de Tibbets só tinha simplesmente o número 82, mas então
decidiu batizá-lo de Enola Gay, em homenagem a sua mãe que lhe amava e deu-lhe
segurança. Doze homens tripulavam o avião:
Capitão Robert Lewis - copiloto
Major Thomas Ferebee - bombardeiro
Capitão Theodore Van Kirk - navegador
Tenente Jacob Beser – contramedidas eletrônicas
Capitão William "Deak" Parsons
– armeiro nuclear
2º Tenente Maurice Jeppson – armeiro
nuclear assistente
Sargento Joe Stiborik - radar
Suboficial George Caron – artilheiro de
cauda
SargentoRobert Shumard – engenheiro de vôo
adjunto
Soldado Richard Nelson - rádio
Sargento Técnico Wayne Duzenberry –
engenheiro de vôo

Receberam as novas na manhã de domingo, 5
de agosto. As condições eram positivas, e o dia seguinte seria o dia. No último
minuto, decidiu-se terminar a montagem final da bomba em vôo, eliminando assim
o risco de explodi-la se o Enola Gay caísse ao decolar. O capitão da Marinha
Deak Parsons, que tinha inicialmente se oposto a idéia, agora a sugeria, e
convenceu a equipe de que poderia executar a difícil tarefa de montagem no
apertado compartimento de bombas do B-29.
Carregaram a bomba no Enola Gay naquela
tarde. “Little Boy” [rapazinho] tinha 4 metros e 70 cm de diâmetro –
maior do que qualquer bomba que Tibbets já tinha visto. Seu poder explosivo era
igual a 20.000 toneladas de TNT; ou aproximadamente o equivalente a que duas mil
Superfortalezas podiam carregar – tudo em uma só bomba que pesava 4.000
quilos. Deak Parsons treinou o delicado processo de armar. A noite a tripulação
foi informada, pela primeira vez, sobre a natureza de sua arma – uma bomba atômica.
Chuck Sweeney, com os instrumentos científicos
no Great Artiste, acompanharia de perto Tibbets, duplicando a sua meia volta. O
avião fotográfico de George Marquardt ficaria bem para trás, fora do alcance
da onda de choque. Os três aviões metereológicos, o Strait Flush de Claude
Etherley, o Jabbitt III de John Wilson e o Full House de Ralph Taylor,
decolariam com uma hora de antecedência, para reconhecerem as cidades-alvo
escolhidas. Cada tripulante levava uma pistola regulamentar; Tibbets levava cápsulas
de cianeto para todos. Ligaram os motores as 2:20 da manhã de seis de agosto de
1945. Três horas depois da decolagem, ao alvorecer, voaram sobre Iwo Jima, onde
5.500 americanos e 25.000 japoneses tinham morrido, para que a Força Aérea do
Exército pudesse usar Iwo como um campo de pouso de emergência. Acertaram o
curso e dirigiram-se para o noroeste. As 7:30, Deak Parsons terminou seus
ajustes; a bomba estava ativa. Subiram lentamente até a sua altitude de
bombardeio, de 9.150 metros.
As 8:30 receberam a mensagem em código do
Strait Flush de Etherley, voando sobre Hiroshima: “Y-3, Q-3, B-2, C-1”. A
mensagem dizia que as nuvens sobre Hiroshima, o alvo primário, cobriam menos de
três décimos. Tibbets passou a informação a sua tripulação: “Vai ser
Hiroshima”. Quando atingiram a linha costeira do Japão, nenhum interceptor os
desafiou; os japoneses tinham se tornado indiferentes a pequenos grupos de
B-29s. Atravessaram a ilha de Shikoku e o Mar Iyo.
Olharam para baixo e viram a cidade. Os
outros tripulantes verificaram que era de fato Hiroshima. Avistaram o Ponto
Inicial, ou P.I. Fizeram uma volta e dirigiram-se quase que diretamente para o
oeste. Tom Ferebee deu uma olhada na sua mira Norden, e ajustou-a com a informação
para corrigir o vento do sul. Tibbets lembrou a sua tripulação para colocar os
pesados óculos escuros Polaroid, para proteger seus olhos da intensa explosão.
Tinha-se calculado que teria a intensidade de dez sois. Facilmente observaram a
característica ponte em forma de “T” que era o ponto de visada primário.
90 segundos antes de soltar a bomba, ele passou os controles para Tom Ferbee, o
bombardeador. As 9:15 da manhã (8:15 horário de Hiroshima), eles soltaram a
“Little Boy” e fizeram uma volta em mergulho de 155 graus para a direita.
Incapazes de pilotar o avião com os óculos escuros, eles os retiraram
apresadamente.
43 segundos mais tarde, um tinir nos dentes
de Tibbets o informou da explosão de Hiroshima: eram as forças radioativas da
bomba, interagindo com suas obturações dentárias. A bomba explodiu a 575
metros acima do chão. Bob Caron, o artilheiro de cauda, foi o único tripulante
a ver a bola de fogo. Mesmo usando os óculos, pensou que tinha ficado cego. O
avião fugia a toda, enquanto a onda de choque da explosão corria atrás deles
a uma velocidade de 335 metros por segundo. Quando a onda de choque os atingiu,
pareceu como uma explosão aproximada de artilharia antiaérea. A nuvem de
cogumelo fervia para cima, 14.000 metros de altura, cinco quilômetros acima
deles, e ainda subia. Voaram para longe, chocados e horrorizados com a vista
abaixo. A cidade tinha desaparecido completamente sob um colchão de fumaça e
fogo. Eles transmitiram por rádio que o alvo primário tinha sido bombardeado
com mira visual, com bons resultados.
A nuvem de cogumelo sobre Hiroshima ficou
visível por uma hora e meia enquanto seguiam em direção sul, de volta para
Tinian. A tripulação conversava sobre o efeito da bomba atômica na guerra.
Pensavam que os japoneses, talvez, “jogassem a tolha” mesmo antes deles
aterrarem. Doze horas depois de terem decolado, Tibbets e a tripulação do
Enola Gay pousaram, para serem recebidos por todos os figurões militares que
puderam ser reunidos: o general Carl Spaatz, comandante da Força Aérea Estratégica;
General Nathan Twining, chefe da Força Aérea das Marianas Air Force; General
Thomas F. Farrell e Contra-Almirante W.R.E. Purnell, ambos com o projeto de
desenvolvimento atômico; e o General John Davies, Comandante da 313ª Ala.
Spaatz colocou uma Cruz de Serviços Distintos em Tibbets assim que desceu do
avião.
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Tibbets
recebendo condecoração por Serviços Distintos
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Depois das formalidades de boas vindas, foram interrogados e receberam um rápido checkup médico. Os entrevistadores ficaram cépticos quanto aos seus relatos da explosão. As notícias da bomba atômica foram imediatamente anunciadas ao mundo. Os japoneses receberam um ultimatum, de aceitar a exigência de Potsdam de uma rendição incondicional, ou sofreriam mais ataques atômicos. Três dias depois, Chuch Sweeney, no Bock’s Car, largaria a segunda bomba atômica sobre Nagazaki.

Não muito depois da rendição, Tibbets inpecionou os danos sofridos em Nagasaki. Continuou na Força Aérea e participou do desenvolvimento do B-47, o primeiro bombardeiro totalmente a jato dos EUA. Aprendeu a voar jatos com Pat Fleming, um ás naval com 19 vitórias. No início dos anos 50 voou B-47 durante três anos.
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Bombardeiro B-47
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Serviu como consultor no filme “Above and Beyond” e gostou que o famoso artista, Robert Taylor, tenha tido o papel representando-o. Dos anos 50 pelos 60 teve uma série de postos no exterior, incluindo na França e na Índia. Depois de passar para a reserva da Força Aérea, tornou-se o presidente da Executive Jet Aviation em Columbus, Ohio.
Fonte: http://www.skbrasil.com.br/artigos/artigohideki.htm
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